LITERATURA


POESIA

ROMÉRIO RÔMULO

 

A poesia em matéria bruta

 

Tudo começou pelo homem,

Uivo da noite que contém miséria.

 

Quando pensarem um anjo, não sou eu!

 

Quanto de homem trago no meu corpo?

E quanto de bicho pela manhã?

 

Meu coração de torto se fendeu.

 

 

Resta buscar o que sobrou do amor.

 

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O poeta Romério Rômulo nasceu em Felixlândia, Minas Gerais. É professor de Economia Política da Universidade Federal de Ouro Preto – UFOP.

O livro Matéria Bruta é da editora Altana, São Paulo, 2006.

 



Escrito por Glória às 02h44
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Livro imperdível

Escute, Zé-Ninguém!
Wilhelm Reich
 
Você teria derrubado os tiranos há muito tempo se no seu íntimo estivesse vivo e em perfeita saúde. No passado, seus opressores provinham das classes mais altas da sociedade, mas hoje elas provêm da sua própria camada.
 



Escrito por Glória às 20h14
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Palavrório

 
O escritor Affonso Romano de San'Anna escreveu neste domingo, no jornal Estado de Minas, um texto imperdível. Ele fala de algo que também me incomoda: a distância entre a teoria e a prática, entre as palavras e a ação. Ando enojada de ver tanto palavrório, tanto evento de literatura e cinema, tantas matérias "culturais" na mídia, tanto academicismo, tanto isso tanto aquilo, mas poucos entendem a mão, poucos colocam o dedo na ferida.  "Todo artista tem de ir onde o povo está", como na canção “Nos Bailes da Vida”, de Milton Nascimento e Fernando Brant. E essa gente metida a besta ainda tem a cachimônia de chamar de "assistencialismo" aos que saem do discurso e põem a mão na massa.
 
Vejam trecho do artigo de ARS:
 
Certos poemas valem mais que mil palavras de economistas, sociólogos, filósofos e discursos de políticos. De repente,  deparo com um texto de um poeta africano desconhecido, lá de Malawi. Leio. Levo um baque. Está tudo ali. O texto fala mais que qualquer estatística, que qualquer discurso. O poeta cristalizou em poucas palavras toda a nossa perplexidade, impotência e remorso diante da pobreza. Vejam:

De um poeta anônimo do Malawi, África

Eu tinha fome e vocês fundaram um clube humanitário
para discutir a minha fome.
Agradeço-lhes.

Eu estava na prisão
e vocês foram à igreja
rezar pela minha libertação.
Agradeço-lhes.

Eu estava nu
e vocês examinaram seriamente
as conseqüências de minha nudez.
Agradeço-lhes.

Eu estava doente
e vocês se ajoelharam
e agradeceram a Deus o dom da saúde.
Agradeço-lhes.

Eu não tinha casa
e vocês pregaram sobre o amor de Deus.
Vocês pareciam tão piedosos,
tão perto de Deus!

Mas eu continuo com fome
continuo só, nu, doente,
prisioneiro.
e tenho frio,
sem casa.



Escrito por Glória às 14h20
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