|
ESCOLAS
Protesto
O Globo publica artigo do economista Rubem de Freitas Novaes, afirmando que estudantes brasileiros não aprendem porque sofrem de "deficiência mental" e que escolas e professores não podem fazer milagre
O artigo é de hoje, 5/1/08, com destaque no caderno Opinião. Como o jornal O Globo não permite copiar suas matérias, digitei o início do artigo e escaneei o trecho em que o articulista afirma que o estudante brasileiro é a grande causa do nosso fracasso educacional com "sinais evidentes de deficiência mental".
Após apresentar a brilhante tese, digna de figurar nos arquivos nazistas, o autor do artigo aponta a solução da "intervenção governamental" com um "amplo programa de contenção da natalidade direcionado para segmentos fortemente carentes da população". No final, diz que se o governo não impedir esses nascimentos em lares mal estruturados, que não propiciam formação intelectual das crianças, "está impondo um ônus a toda a sociedade que arcará, em última análise, com as consequências indesejadas dos seus atos". E encerra com a frase: "É simples assim!".
Fui ao Google saber quem é o autor tão prestigiado pelo O Globo e descobri uma notícia de 2001, na qual consta seu envolvimento no caso do banqueiro Salvatore Cacciola, com o seguinte trecho: "Gueiros não ficou surpreso com a reportagem publicada hoje pela revista "Veja", segundo a qual o banqueiro Salvatore Cacciola, ex-dono do Marka, chantageou o ex-presidente do Banco Central com base em grampos telefônicos que provariam que Francisco Lopes passava informações privilegiadas, que eram vendidas no mercado pelo economista Rubem de Freitas Novaes". (Folha Online).
Realmente, Sr. Rubem de Freitas Novaes, vender informações privilegiadas, lesando a economia do país, acentuando a desigualdade social, que empobrece mais a nossa população causando mais desestruturação familiar, exige muita "capacidade intelectual" com "aprendizados mais complexos" que nossos estudantes empobrecidos, certamente, não têm. Graças a Deus!
Segue na íntegra o trecho inicial do artigo:
Educação e planejamento familiar
RUBEM DE FREITAS NOVAES
Ao se fazer um balanço dos acontecimentos de 2007, nada chamou mais a atenção daqueles que se preocupam com nossas perspectivas de desenvolvimento no médio e longo prazos que as sucessivas demonstrações de que a educação no Brasil vai de mal a pior e que nossos jovens estão entre os mais fracos do mundo em domínio do idioma pátrio, ciências e matemática.
Em consequência, muito se escreveu para mostrar que as causas de nossas carências eram multifacetadas, passando por deficiência na formação dos professores, pobreza de equipamentos escolares, má remuneração dos profissionais da área, educação ideologizada, etc, etc. Em suma, escolas e mestres não estariam à altura da missão a ser desempenhada.

Escrito por Glória às 21h35
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
De Harvard para alunos pobres do Brasil
"As convicções são inimigas da verdade, mais perigosas que a mentira".
Nietzsche
Hoje, um professor da USP de Ribeirão Preto, José Marcelino de Rezende, escreveu na Folha de São Paulo:
" A Folha e os demais meios de comunicação deram, nos últimos dias, mais espaço ao "apagão aéreo" do que à educação nos últimos anos. Será que é porque a classe média (que assina a Folha) não estuda em escola pública? Creio que, se a Folha deseja fazer jus ao dístico "Um jornal a serviço do país", ela precisa levar a educação mais a sério - com menos opinião e mais reportagem. Que tal criar um caderno de educação como os bons jornais do mundo possuem?"
O professor tocou no cerne da questão: muita opinião e nada de reportagem. Eu já não aguento mais ver na grande imprensa todo mundo opinando sobre educação e, pior, a mesma opinião. Ou melhor, os mesmos chavões: salário e capacitação de professores, falta de recurso, e o mais recente "choque de qualidade". É igual burro quando empaca, desista de fazê-lo desempacar. Ir atrás dos fatos, conhecer as escolas por dentro, imiscuir-se em suas maracutaias, desmascarar seus mitos e dogmas, ouvir os mais importantes integrantes do sistema - os alunos e famílias - isso, jamais, não se cogita.
No mesmo jornal, há um artigo do famoso intelectual Roberto Mangabeira Unger dando uma receita "completa e infalível" sobre educação no Brasil. Sabe de onde veio a receita? Da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, cotada nos rankings entre as cinco primeiras do mundo, onde o autor é titular de uma cadeira de professor. São dessas pessoas que os jornais trazem opinião sobre a educação em um país com milhões de miseráveis.
O título do artigo é "Oito medidas para educar" e termina com a afirmação do autor de que "Essas medidas representariam uma revolução".
Lembrei-me da famosa frase do Nietzsche: "As convicções são inimigas da verdade, mais perigosas que a mentira". A convicção de que a escola é uma "instituição sagrada" faz com que todas as mentiras sobre esse dogma escondam a verdade sobre suas mazelas que destroem o futuro das crianças brasileiras.
Vamos ao artigo do intelectual de Harvard, que nunca na vida deve ter entrado numa escola pública assim como todos os "palpiteiros" da educação brasileira.
As oito medidas do professor Mangabeira são:
1. Assegurar piso salarial e plano de carreira aos professores em todo o país. O governo federal tem de se acertar com os Estados e os municípios e completar a diferença para as entidades federadas mais pobres. 2. Construir sistema nacional de "escolas normais" e de faculdades de educação para formar e atualizar os professores ao longo de suas carreiras, não só no início. 3. Medir várias vezes por ano o desempenho de todas as escolas. Discutir os resultados no país e em cada comunidade. O monitoramento não é apenas para suprir falhas. É também para propagar as inovações locais bem-sucedidas. 4. Ter o governo federal como intervir e consertar quando, em períodos seguidos, o desempenho for inaceitável. 5. Focar a formação dos professores e os textos escolares na pedagogia das operações conceituais básicas: análise de problemas, interpretação de textos, formulação de argumentos, uso de fontes de pesquisa. 6. Engajar as associações de pais no trabalho das escolas e na execução de um plano de estudo para cada criança. E, quando a família não tiver condições para participar, designar professor ou membro da comunidade que faça as vezes desse acompanhamento familiar. 7. Combinar o ensino direto com o ensino à distância e com a comunicação entre escolas. Cada estudante deve receber computador simplificado, ligado a rede nacional de internet pública dedicada à educação. 8. Oferecer programas especiais aos alunos, sobretudo pobres, mais talentosos e esforçados. Tais programas sacodem a mediocridade satisfeita. Acordam a genialidade calada.
Não é uma pérola? O professor ignora que os alunos pobres do Brasil não terão nem oportunidade de acesso a suas medidas revolucionárias. Se fosse possivel, se professor de Harvard ouvisse alguém do povo, eu mandaria um recado para incluir duas medidas revolucionárias no seu rol:
- Respeito e afeto pelas crianças e suas famílias. (que revolução!!!!)
- Fiscalização e cobrança de resultados, sob pena dos incompetentes e irresponsáveis perderem o emprego.
Pronto: dispensavam-se todas as outras medidas de Harvard.
Escrito por Glória às 01h46
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Uma educadora de tirar o chapéu
Ouvi este relato de uma EDUCADORA, acontecido esses dias, e aqui transcrevo como exemplo de uma profissional que faz a diferença. Já próxima de se aposentar, atualmente ela é vice-diretora de uma escola pública. Sua postura é de nunca desistir do aluno, trabalhar todos os obstáculos que levam nossos alunos carentes a abandonar a escola. Diante dos conflitos, problemas, até mesmo do que chamamos de violência, ela usa a interatividade, jamais a indiferença, ela usa o diálogo, jamais o autoritarismo estéril, ela usa o afeto, jamais a frieza da distância que tanto caracteriza a forma de abordagem diante dos incidentes na escola.
Tenho certeza de que a escola pública não seria excludente, que não teríamos essa evasão absurda, se tivéssemos verdadeiras educadoras na escola. E se tivéssemos secretárias de educação que cumprissem com seu dever de orientar, cobrar e fiscalizar o cotidiano escolar.
Para você, querida educadora exemplar, do nosso saudoso Vinícius de Moraes:
"Se todas fossem iguais a você..."
O RELATO
Estava em minha sala quando um aluno bateu à porta. Era o Leandro* da 5ª série. Como faço com todos os alunos (as) que me procuram, digo que entre e que estou à disposição.
Ele diz que precisa muito falar comigo. E se queixa choroso:
- Meus colegas me chamam de preto, pobre e feio.
Olhei para o Leandro, um menino negro como tantos na escola pública. Pedi que se sentasse para a gente conversar.
Falei da importância dele se olhar com admiração e não permirtir que ninguém o desvalorize por ser negro. Que ele levantasse a cabeça e ficasse orgulhoso da sua raça negra, que, juntamente, com a branca e a indígena formaram o nosso Brasil.
Ele me olhou admirado, como se nunca tivesse ouvido alguém elogiar a sua identidade negra.
E continuei:
- Quanto a ser pobre, isso não é vergonha e nem motivo de se sentir ofendido. Quanto a ser feio - questionei com ele - o que é ser feio? Às vezes o que é feio para um é bonito para o outro. Eu te acho bonito, em todos os sentidos.
E perguntei:
- E você, acha que eu sou bonita?
Sorrindo, ele disse que sim.
Agradeci, e disse a ele que deveria haver alguém que não pensava como ele, que não me achava bonita, mas que eu não ligava, porque eu sabia que para alguém eu era bonita.
Por fim, disse a ele que voltasse para a sala e não permitisse que ninguém o fizesse sentir-se inferior, pois ele era bonito, ser pobre não era vergonha e que ser negro deveria ser motivo de orgulho de agora em diante.
Encerrei dizendo que, mais tarde, iria à sua sala para conversar sobre o assunto com a turma.
Ele se levantou, andou até à porta, parou, olhou para mim, deu um sorriso, e disse:
- Professora, muito obrigado, tá?
E saiu, diferente.
* O nome verdadeiro foi omitido para não expor a privacidade do aluno.
Escrito por Glória às 14h29
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Mau atendimento na Secretaria de Educação
Li esta notícia hoje no jornal Estado de Minas. Uma professora se queixa do mau atendimento na Secretaria de Educação de Minas Gerais. Transcrevo a carta abaixo. É um acinte o atendimento em nossas repartições públicas. Não entendo de onde vem essa anomalia, pessoas que estão ali para prestar um serviço ao público e fazem de tudo para dificultar, até chegar ao ponto de serem arrogantes e irritadiças com as pessoas.
A leitora (minha xará) deu um exemplo de cidadania escrevendo ao jornal e ao próprio governador do estado, reclamando seus direitos. Admiro essa pessoa e acredito que só assim vamos mudar este país, transformando a cultura do descaso e do abuso, que impera na administração pública, em prestação de serviço comprometido e eficiente.. Se mais cidadãos se manifestassem botando a boca no trombone, essas parasitas mudariam de postura ou de rumo. Se não querem tratar bem o público, se não gostam de ser humano, que vão trabalhar em outras paragens.
E fica uma observação: se tratam dessa forma chula e desrespeitosa uma professora, imaginem os pais e alunos que, por acaso, se aventurarem a buscar qualquer serviço na Secretaria de Educação.
Taí porque nossa educação vai de mal a pior. Entre outras razões, o andar de cima dá mau exemplo.
Carta à redação do jornal Estado de Minas:
Discriminação - Repartição de secretaria trata mal professora Maria da Glória Curvelo Volpato / Belo Horizonte - 14/11/06
“Em 1º deste mês, estive no setor de pagamento da Secretaria de Educação do Estado, na Avenida Pedro II, 990 (Metropolitana B), para reclamar contra mau atendimento a educadores nas metropolitanas da Pasta, quando recebi resposta de forma arrogante e irritada de alguns funcionários. Senti-me discriminada por ser professora contratada. Disseram-me que lá era lugar para ser freqüentado somente por diretores de escolas (não sei onde está escrito isso). Diante desse absurdo, protocolei ofício dirigido ao governador pedindo-lhe providências sobre a hostilidade das metropolitanas da Secretaria de Educação. Critico o estado pela falta do contato direto com os educadores, de um grupo neutro de pesquisas do estado (apolítico), para colher reclamações e novas idéias, tanto a respeito das escolas quanto da própria Secretaria da Educação.”
Escrito por Glória às 14h09
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
Para muitas crianças, escola é lugar de violência, diz estudo da ONU
Agência Brasil - 12/10
Apesar de as instituições de ensino desempenharem um papel importante na proteção das crianças, para algumas delas, a escola é um local de constante violência
Um estudo da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pelo secretário geral Kofi Annan, mostra que muitas crianças são vítimas de agressões físicas, formas humilhantes de punição psicológica e intimidação dentro das escolas. Castigos corporais também são comuns, embora a legislação de 106 países proibam essa prática.
“Quanto maior a desigualdade socioeconômica, maior é a violência em relação a comunidades populares, populações nos espaços de periferia, famílias, adolescentes e às próprias crianças”, afirmou a oficial de projetos do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Helena Oliveira.
O estudo também mostra que as meninas são as maiores vítimas de violência sexual praticada por professores ou por condiscípulos do sexo masculino. Segundo o estudo, isso só acontece porque o Estado é incapaz de fazer cumprir as leis anti-discriminação.
Para acabar com essa situação, a ONU recomenda que sejam adotadas leis para proibir castigos corporais nas escolas e estabelecimentos de ensino, além da adoção de mecanismos seguros para que as crianças a suas famílias possam denunciar atos de violência a que são submetidos.
O organismo internacional recomenda, ainda, o uso de estratégias pedagógicas não-violentas e adoção de medidas disciplinares que não sejam calcadas no medo ou na força física.
A pesquisa é baseada em relatórios enviados pelos países membros da ONU - dentre eles, o Brasil - e nas respostas de consultas feitas pelo Unicef. O documento analisa vários tipos de violência que ocorrem ao longo da vida da criança, dos primeiros meses de vida até os 18 anos, bem como os ambientes em que a violência física, psicológica ou sexual é cometida.
O estudo foi coordenado pelo especialista independente brasileiro Paulo Sérgio Pinheiro, doutor em Ciência Política e diretor do Núcleo de Estudos da Violência da Universidade de São Paulo (USP). O documento foi produzido com o apoio do Unicef, da Organização Mundial da Saúde (OMS), do Alto Comissariado para os Direitos Humanos e demais agências da ONU.
Escrito por Glória às 00h25
[]
[envie esta mensagem]
[link]
|
[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
|
|
 |
|