PORQUE HOJE É SÁBADO
"Deus me respeita quando eu trabalho, mas me ama quando eu canto." Rabindranath Tagore*
*Escritor e poeta indiano
PORQUE HOJE É SÁBADO
"Deus me respeita quando eu trabalho, mas me ama quando eu canto." Rabindranath Tagore*
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Cai número de alunos na escola
Queda de 2% no número de brasileiros matriculados na educação básica em escolas públicas e particulares é o que aponta censo divulgado ontem pelo Ministério da Educação (MEC). São pouco mais de 52 milhões de pessoas frequentando aulas, uma defasagem que ultrapassa 1 milhão de alunos, em relação a 2008. Minas Gerais não foge à regra e sustenta o mesmo percentual de redução: este ano, foram 5.028.721 matrículas, 104 mil a menos em comparação ao ano passado. Os dados são preliminares e se referem a inscrições em creches, pré-escola, ensino fundamental, médio, educação especial, além de educação profissional e de jovens e adultos.
Na educação especial, houve a maior diminuição de matriculados em Minas, 17%. Já no ensino fundamental o número de alunos entrando na escola caiu 4,1% e, nos anos finais da educação básica, 2,6%. Em contrapartida, o levantamento mostra que jovens e adultos mineiros estão mais interessados em voltar para a sala de aula. O aumento foi de 1,9% na quantidade de matrículas nessa modalidade de ensino.
Matricular-se na escola é assunto que o músico e educador social Flávio da Silva Paiva, conhecido como Russo, sabe de cor e salteado. Ao longo de seus 31 anos, abandonou duas vezes a escola e foi reprovado em cinco séries, pelo que se lembra. A dificuldade em caminhar nos estudos estava relacionada a uma falta de entendimento sobre o papel da educação em sua vida. “Desde pequeno, temos uma visão de que estudar é ruim. Ia a escola porque isso garantia meu trabalho como office-boy”, destaca Russo, que é diretor do programa Diversidade Cultural.
Hoje, além de frequentar um pré-vestibular, ele fez da educação sua maior bandeira. “Vejo a dificuldade de mantê-los na escola. Tento passar para os jovens que a educação os transforma em pessoas com senso crítico e campo de visão ampliado. Mas, ao mesmo tempo, acho que a escola deveria ouvir os jovens sobre a escola que eles querem”, diz.
O ministro da Educação, Fernando Haddad, ressalta que o resultado não significa menos alunos na escola. “A queda nas matrículas pode se dar por um aumento de fluxo, ou seja, há menos alunos repetentes, e uma diminuição da natalidade”, afirma. O ministro descarta a possibilidade de maior evasão.
Os dados são informações preliminares das 194,5 mil instituições de ensino brasileiras, 17,5 mil delas em Minas. Elas têm um prazo de 30 dias para corrigir eventuais erros e comunidade o MEC. É com base no censo que o ministério calcula os recursos repassados às escolas, por meio do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (Fundeb). Os dados consolidados devem ser divulgados no fim do ano.
Jornal Estado de Minas - caderno Gerais - 24/9/2009
ESCOLA - POLÍCIA - PRISÃO

Meninos apreendidos em Rincão sob acusação de extorquir e agredir colegas entram em carro que os levará à Fundação Casa (Folha Ribeirão - 23/9)
Menores não respondem em liberdade como vários assassinos que conhecemos, ou como outros vários "maiores" acusados dos mais diversificados (e sofisticados) crimes. Um absurdo: o estado tira esses adolescentes de suas famílias para, aí sim, interná-los na escola do crime.
A escola nunca é questionada. Os problemas acontecem dentro e em volta dela e a instituição é sempre isenta de tudo.
Racismo influencia desempenho escolar
As escolas brasileiras não estão atentas para as práticas sutis de racismo existentes entre alunos e professores, prejudicando, assim, a mobilidade educacional e social de crianças e jovens negros
Esse é o principal argumento da pesquisa "Relações raciais na escola: reprodução de desigualdades em nome da igualdade", resultado de um convênio entre o Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão do Ministério da Educação, e a Unesco. Coordenado pelas sociólogas Mary Garcia Castro e Miriam Abramovay, a pesquisa combina técnicas qualitativas – como entrevistas, grupos focais e observações em sala de aula – com análises quantitativas tais como os dados do Sistema Nacional de Avaliação da Educação Básica (Saeb). Realizado nas cidades de Belém, Salvador, São Paulo, Porto Alegre e no Distrito Federal, o estudo é abrangente e focaliza crianças, alunos das últimas séries do ensino fundamental e do ensino médio, assim como pais, professores, diretores e funcionários de 25 escolas particulares e públicas.
Existe um desempenho escolar desigual entre alunos brancos e negros, que é maior entre ricos do que entre pobres, aponta a pesquisa. Sendo assim, mais do que às diferenças socioeconômicas, o baixo desempenho dos alunos negros se deve às práticas discriminatórias na escola, muitas vezes veladas. Essas conclusões foram obtidas a partir da análise das provas do Saeb de 2003 aplicadas, pelo Ministério da Educação, junto aos alunos da 4ª e 8ª série do ensino fundamental e da 3ª série do ensino médio.
FATOR SOCIAL Nos estratos sociais mais altos, os índices de desempenho dos alunos são menos críticos, o que reforçaria a tese de que aqueles que possuem um desempenho escolar mais baixo são os alunos mais pobres. Mas quando se cruzam os dados socioeconômicos com a variável raça/cor dos alunos, a conclusão é que "a pobreza iguala por baixo", ou seja, brancos e negros possuem as notas mais baixas, estando mais próximos. Já os alunos brancos e negros de estrato socioeconômico superior, ainda que apresentem as notas mais altas, se distanciam mais entre si: os alunos negros apresentam notas bem mais baixas do que os alunos brancos da mesma classe social.
Os dados do Saeb foram comparados com as percepções de pais, professores, diretores e alunos. Segundo as pesquisadoras, adveio daí uma surpresa: a maioria dos entrevistados tende a negar que há diferenças no desempenho escolar entre alunos brancos e negros. Para as pesquisadoras, essa negação está relacionada a uma "ideologia da igualdade na escola" que a exime de responsabilidade sobre as diferenças de desempenho escolar, atribuindo-as ao empenho pessoal dos próprios alunos, ou às suas famílias.
Nesse sentido, professores, pais e alunos tendem a negar que existam práticas racistas nas escolas. Xingamentos e apelidos de cunho racista são justificados como "brincadeiras". Professores silenciam e se omitem, preferindo não tratar do assunto em sala de aula para "não levantar o problema" ou mesmo deixando de intervir nos casos de discriminação racial. "Todos tendem a se declarar contra racismo, o que de alguma forma colabora para que não se discutam formas de identificar sutis discriminações, ou a reconhecer que os apelidos de teor racista, mesmo que aceitos pelos vitimizados, doem e causam sequelas identitárias", diz a pesquisa.
A questão racial tende, assim, a ser tratada pelas escolas de modo circunstancial – como o Dia da Consciência Negra. Para as autoras, é fundamental instituir-se novas práticas pedagógicas, que contemplem as relações entre todos os alunos, brancos e negros, no ambiente escolar.
Carolina Cantarino
Fonte: Ciência e Cultura
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