A péssima educação da TV Globo
Pretendia escrever sobre o término hoje da farsa “Caminho das Índias”, mas meu amigo Mauro Silva, lá de São Paulo, poupou-me o trabalho e a desdita. Encontrei prontinho no site da Cremilda, foi só postar.
Acrescento o quanto fiquei indignada com mais um desserviço prestado pela TV Globo à nossa educação, ao apresentar como padrão aqueles país enlouquecidos, que mimam o filho ao extremo, como se essa fosse a realidade dos adolescentes e jovens brasileiros. A imprensa tem sido o câncer da nossa escola ao distorcer tudo, ao fazer apologia do autoritarismo, ao praticar a omissão diante das falcatruas e deficiências do sistema escolar que levam nossos alunos a se comportarem como produto dessa fábrica de deseducação.
Segue o artigo do Mauro A. Silva:
Hoje é o último capítulo da farsa global
A telenovelista Glória Perez prometeu mostrar os “valores morais” da Índia. Mas o que se viu foi a falsificação da realidade indiana, que é uma sociedade machista, uma sociedade de castas, um total desprezo pelas crianças, tem uma escola autoritária que maltrata as crianças pobres, uma elite que vive acima da lei e a mídia manipulando a população e vendendo ilusões…
ULUCAPATÁ
Uma das mais graves manipulações da telenovela Caminho das Índias foi justamente promover a farsa do “aluno-capeta” versus a “professorinha-santa”… nenhuma palavra sobre os maus professores que dominam as escolas públicas. Na Índia, assim como no Brasil, existe uma elite que reserva as melhores escolas para seus filhos, enquanto que os pobres ficam com as escolas pobres: alguém tem de cuidar dos banheiros públicos, catar o lixo e fazer os outros trabalhos sujos ou pesado.
A TV Globo faz o seu papel de vender ilusão, tratando o povo como um bando de ULUs…
Ainda bem que esta enganação global e a farsa da Glória Perez acaba hoje…
ATCHATCHATCHA
Quem quiser ver um pouco da Índia real deve assistir ao filme “Slumdog Millionaire”, vencedor do Oscar 2009.
O filme já começa com o ator principal sendo torturado pela polícia… a tortura acontece com total conivência do maior programa de TV da Índia. Alguma semelhança com o Brasil???
ARE BABA
O personagem Jamal relembra que foi agredido pelo professor aos cinco anos de idade…
ARE BABA
Jamal vive em uma favela… ARE BABA… não tem pais… ARE BABA… aos 5 anos “trabalha” num banheiro público… ARE BABA… ele pula na merda para conseguir o autógrafo de um artista “global”… ARE BABA… ele vê sua mãe ser assassinada por fanáticos religiosos (a polícia não faz nada)… ARE BABA… ele é sequestrado por um explorador de crianças (o explorador fura os olhos das crianças para que elas ganhem mais esmolas e obriga as meninas a se prostituírem)… ARE BABA… Jamal trabalha como assistente de telemarketing, o “rapaz do chá”, quando é escolhido para participar do programa “Quem quer ser um milionário?”…
ARE BABA
Enquanto tivermos uma TV hipnotizando e enganando o povo, teremos pessoas rezando para bezerros e vacas, ao mesmo tempo em que nossas crianças passam fome, são expulsas das escolas, e são exploradas por todo tipo de marginais.
Leia mais aqui:
Glória Perez e os maus professores *intocáveis*

CARTA
À escritora Lia Luft
Escrevo para dizer que fiquei embasbacada com a sua crônica que li na revista Veja do dia 29 de julho, enquanto esperava a minha vez num consultório médico.
O título da crônica é "Crime e Castigo". Foi disso que você se lembrou quando decidiu escrever sobre educação de nossas crianças e adolescentes? Pensei de quais crianças você falava para bater tanto na tecla de punição, crime, castigo... Certamente, não se referia a seus netos, seus sobrinhos ou dos demais da sua casta. Para eles, usaria palavras doces e ternas, com certeza.
Lia, quanta bobagem, quanta prepotência, quanta intolerância!
Você diz lá:
"Estamos levando na brincadeira a questão
do erro e do castigo, ou do crime e da punição.
Sem limites em casa e sem punição de crimes
fora dela, nada vai melhorar"
Olhe, vou escrever só mesmo um bilhetinho, porque ando muito sem paciência com gente como você. Gente que, do comodismo de suas vidas, não conhecem e nem querem conhecer a vida miserável e sofrida das nossas crianças empobrecidas.
Você termina assim:
"Muito crime, pouco castigo, castigo excessivo ou brando demais, leis antiquadas ou insuficientes, e chegamos aonde chegamos: os cidadãos reféns dentro de casa ou ratos assustados nas ruas, a bandidagem no controle; pais com medo dos filhos, professores insultados pela meninada sem educação. Seria de rir, se não fosse de chorar."
Triste para nossas crianças que não podem contar nem com a "elite pensante"(sic) do país.
Falar em crime e castigo, vai um zero para sua crônica...
E olha que nunca dei zero para meus alunos.
Inté nunca mais,
Glória
(se o leitor quiser ler a malfadada crônica clique aqui)