Estão voltando as flores
Para levantar nossa esperança...
De Miriam Abramovay, socióloga e pesquisadora da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla) sobre o episódio da "bomba"
- “A violência acontece muitas vezes porque a escola não escuta os alunos. As instituições deveriam fazer um diagnóstico e começar um processo de educação, onde todos os professores possam aprender a mediar conflitos“
- “As microviolências, como agressões verbais e físicas, apelidos e homofobia desencadeiam esses ataques. Se a perda de controle do aluno se dá em uma sala de aula, a instituição de ensino também tem uma parcela de responsabilidade."
- “É muito fácil a escola pôr a culpa nos pais, mas eles também enfrentam situações difíceis. Grande parte tem escolaridade menor que os filhos e também não sabem o que fazer. A escola não dialoga com a família e a situação se complica.“ (ao discordar da escola que sempre culpa os pais dos alunos).
- "...cada reação de alunos contra os colegas de classe, professores e funcionários deve ser encarada como uma mensagem de que algo não está indo bem”. Completa que a solução inicial seria preparar melhor os professores para essas situações.
Uma "bomba" na escola em BH. Quando a imprensa vai se tornar séria em relação à escola?
Leiam a notícia mentirosa e tendenciosa. O título é "Estudante coloca bomba na mesa da professora e é apreendido no Carlos Prates". Uma professora ficou ferida na manhã desta quinta-feira depois que um aluno de 14 anos colocou uma bomba caseira na mesa em que ela estava, na Escola Estadual Melo Viana, no bairro Carlos Prates, região Noroeste de Belo Horizonte. De acordo com a Polícia Militar, a professora teve ferimentos na perna e foi encaminhada para o Hospital João XXIII. O estudante, juntamente com os pais, foi levado para o Centro Integrado de Apoio ao Adolescente Autor de Ato Infracional (Cia-BH). Segundo José Laércio, diretor da escola, o estudante era repetente e estava revoltado com a professora, que estaria exigindo muito dos alunos. Ainda segundo o diretor, a escola não sofreu nenhum dano com a explosão. AQUI
VEJAMOS:
- Uma BOMBA não causa apenas ferimento na perna. Ouvi no noticiário que a professora foi liberada imediatamente do hospital, do que se conclui que não teve ferimento grave e se conclui mais ainda que não era BOMBA e sim uma bombinha que, embora seja proibido pelo ECA, são vendidas para crianças em qualquer esquina.
- A turma era de "repetente". Só Deus sabe como esses alunos estigmatizados como repetentes são tratados na escola. Além disso, colocam as piores professoras ou aquelas que estão para sair de licença ou aposentando, para dar aula para esses alunos. Então, as aulas e o tratamento dispensado aos alunos são péssimos.
- A única pessoa que presta informação ao jornal é o DIRETOR. Diretor falou, tá falado. O aluno, a sua família, os colegas não têm voz. Aliás, são invisíveis.
- O aluno já foi levado ao centro de adolescente infrator e, conforme se sabe, a sua pena já deve ter saído hoje ainda, sem julgamento, sem nenhuma chance de defesa.
COMENTÁRIO - Ontem pipocou a notícia de um empresário que matou o sócio em Belo Horizonte. Como estava evidente, não tinha como negar, o assassino confessou. E o que aconteceu? Foi liberado porque não houve flagrante. Talvez, daqui a alguns anos, ele participe de um julgamento simulado, no qual até possa ser condenado, mas já tem um habeas corpus do STF e sai livre do fórum.
Mas, o adolescente da bombinha acima, já está a esta hora com pena a cumprir, sem falar no estigma para sempre em seu futuro.
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Na BAND, a notícia foi mais catastrófica ainda. Vejam:
Cotidiano: Aluno é apreendido acusado de explodir bomba em MG
Um estudante foi apreendido, acusado de explodir uma bomba na mesa da professora, numa escola pública de Belo Horizonte. A punição para o estudante será estipulada pelo juiz da Vara da Infância e Juventude. Segundo a direção da escola, o adolescente teve uma discussão com a professora, no início da semana, e por isso teria se vingado atirando a bomba.
A CARTILHA DO ZIRALDO
O MEC achou por bem fazer uma "campanha de mobilização" para melhorar a escola. Vejam que ideia genial: encomendou uma cartilha para o Ziraldo. Como todos sabem, o Ziraldo é um exemplo de brasileiro, cobrou uma fortuna do contribuinte brasileiro por ter perdido dinheiro na época da ditadura. E a gente achando que o cara era um idealista. O MEC anunciou assim:
Agora, as famílias podem ter mais informações sobre como ajudar seus filhos no processo educativo. Uma cartilha ilustrada pelo cartunista Ziraldo, com linguagem simples e direta, convoca as famílias a se envolverem na educação das crianças, acompanhando a frequência e o desempenho na escola, participando de conselhos escolares, verificando se a escola é bem organizada, entre outras ações. A campanha de mobilização visa definir uma estratégia comum de envolvimento social por uma educação de qualidade.
Segue um trecho da Cartilha e para conhecê-la na íntegra clique aqui



Ou seja, para o Ziraldo a escola é maravilhosa, só falta os pais acompanharem os filhos e cobrarem dos gestores e professores, como se isso fosse possível. E uma curiosidade: quanto será que o Ziraldo ganhou a mais do contribuinte para fazer essa cartilha inútil?
Reposição de aulas à noite é enganação
Na educação, em contraponto à paz de cemitério de Minas Gerais, em São Paulo há gente que luta para desnudar as falcatruas das escolas públicas. Assistam ao vídeo com a seguiinte informação:
Mauro Alves da Silva, do Grêmio Recreativo Sudeste, afirmou que os professores resistem a repor os 15 dias de aula suspensos em função da gripe suína. Ressaltou que muitos passam "trabalhinhos" aos alunos como forma de compensação ou marcam aulas aos sábados à noite, o que é uma "enganação".
Estão voltando as flores
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