
CRÔNICA DA ESCOLA
Tenho curiosidade e uma paciência infinita para entrevistar os meninos na rua. Deparei com um, começo a perguntar. Esta entrevista foi hoje. Ele apareceu na minha porta:
- Que série você está?
-7ª série.
- A diretora da sua escola é boa?
- É...
- Como ela se chama?
- Não sei...
- Como não sabe nem o nome da diretora e diz que ela é boa?
- É que nem conheço ela...
- ???
- Uns lá é que falam que ela é boa.
- Mas isso não pode ser, você tem de ter sua própria opinião.
Ar de espanto. O que é ter opinião?, parece pensar. Mudo de assunto.
- E os professores?
- São bons...
- Todos?
- São.
- E as suas notas?
- Só Português que vem ruim...
- E a professora é boa?
- É...
- Então por que a nota vem vermelha?
- Ela não dá nem dever, às vezes sai da sala, vai lá pra baixo e fica fora uns 20 minutos, esses dias ela levou um computador pra sala.
- E vocês?
- Ela manda fazer exercício do livro.
- E fica no laptop...
- É...
- E você ainda diz que essa professora é boa?
O menino sorri sem entender nada. Enfia na sacola o tênis e as roupas que me pediu, encheu a boca com o bolo que lhe dei e sinalizou que a prosa estava encerrada.
E caminhou rumo ao portão no passinho miúdo de quem não tem planos para o futuro.
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LAURO DE OLIVEIRA LIMA
" Durante anos e anos, este processo de “domesticação” é exercido pelos mestres, na tentativa de submeterem os alunos a seus caprichos, gerando a revolta contida ou a passividade. Ninguém, no sistema escolar, está realmente empenhado em estimular o desenvolvimento das crianças, gerando um cidadão democrático, autônomo, seguro de si, criativo, generoso e sociável. Não é uma nova sociedade que se elabora. O que se tem em mira é um indivíduo conformado, passivo, obediente, integrado no grupo social." (Educador brasileiro - Do livro "Para que servem as escolas)
Estatística vergonhosa A questão social pesa no trato da segurança publica
| Leonardo Isaac Yarochewsky - Advogado criminalista, professor de direito penal da PUC Minas |
| | Estudo feito pelo Laboratório de Análise da Violência, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), divulgado em 21 de julho, com base em dados do Ministério da Saúde e do IBGE, estima que cerca de 33 mil jovens de 12 a 18 anos serão vítimas de assassinato entre 2006 e 2012, caso as taxas de homicídios de 2006 se mantenham imutáveis. No Brasil, em 2006, de todos os jovens mortos, 45% foram vítimas de homicídio.
A pesquisa criou um novo indicador, o Índice de Homicídios na Adolescência (IHA), segundo o qual, se mantidas as condições atuais, de cada 1 mil adolescentes brasileiros, dois deverão morrer antes dos 19 anos, totalizando quase 5 mil mortes por ano. A probabilidade de ser vítima não é igual para toda a população: jovens do sexo masculino têm 11,91 vezes mais risco do que do feminino; negros têm 2,6 vezes mais do que brancos; a maior incidência de mortes por assassinato situa-se na faixa etária que vai dos 19 aos 24 anos.
Lamenta-se que esses dados não chamem a devida atenção da sociedade. Na maioria das vezes, a população só passa a enxergar o jovem quando ele pratica algum crime. A situação dos adolescentes que estão submetidos a medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) também é grave e preocupante. Constantemente, menores são vítimas da violência praticada na própria instituição, que os deveria abrigar. No Distrito Federal, apenas para citar um exemplo, segundo dados do Ministério Público, 178 jovens perderam a vida enquanto cumpriam medida socioeducativa entre 2003 e 2005.
Outro fato que não pode ser desprezado é que, para a grande maioria dos jovens das classes desfavorecidas e miseráveis, a única forma de ascensão social, em um sistema que privilegia o ter em vez do ser, se dá pelo crime. Para estes, o poder está associado à arma e à droga, pois somente assim conseguem “sucesso” e “respeito” dos semelhantes. Como convencer ou “fazer a cabeça” de um jovem de que por meio do trabalho honesto, ganhando um salário mínimo, ele poderá obter os bens de consumo valorizados pela sociedade capitalista? A luta contra o tráfico é estéril, já que este jovem sabe que vendendo droga, como “vapor” ou “avião”, pode ganhar até R$ 100 por dia e que, assim, poderá compra o tênis de marca ou a camisa da moda.
A sociedade precisa entender que a segurança pública passa necessariamente pela questão social. É preciso usar a criatividade e investir em programas como o Fica Vivo, do governo do estado, para que crianças e adolescentes encontrem na escola, na família, no esporte, nas comunidades etc. razões e compensações para uma vida longe do crime e da morte. Afinal, como disse o sociólogo alemão Karl Mannheim: “O que se faz agora com as crianças é o que elas farão depois com a sociedade”. |
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(Publicado no jornal Estado de Minas, 13/8/09)
Professora não admite aluno não gostar de Machado de Assis e dá dois (2) em sua redação
Na postagem abaixo (8/8)"A escola e o desgosto de ler", recebi um excelente depoimento do leitor Daniel, relatando não só a postura autoritária da escola no ensino da leitura e, mais ainda da professora que não "admitia" a opinião do aluno de não gostar de um determinado autor. Neste caso, Machado de Assis, que realmente não deveria nunca ser indicado para adolescente, a não ser que partisse do próprio aluno o interesse de ler seus livros, totalmente inapropriados para essa idade.
Leiam o depoimento do leitor:
Quando ainda estudava no Colégio Imaculada de Leopoldina, acredito que com uns 15 anos de idade, tivemos que fazer uma redação sobre o porquê de os brasileiros não terem o hábito da leitura.
Fiz a redação e coloquei a mesma opinião do Luis Eduardo, que éramos iniciados na leitura com textos muito difíceis e às vezes enfadonhos para a nossa idade, o que, entre outras questões, ia nos afastando da leitura.
Não é que minha professora de Português (não vou citar o nome, apesar de lembrar bem dela) me deu nota dois, me chamou na frente da classe, falou mal da minha redação (não dos erros, mas por conta da minha opinião), dizendo que merecia era ter tirado zero, mas que pensou melhor e resolveu me dar um dois para não me prejudicar tanto.
Ela disse que adorava Machado de Assis e que não podia aceitar alguém achá-lo chato. São com professores assim, que ao invés de aceitar uma opinião cerceiam seus alunos, que nunca conseguiremos massificar a leitura ou melhorar a nossa educação.
Daniel do Vale Costa Reis
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Um absurdo... Ah, a escola!!! Pobres alunos, não sei como sobrevivem.

Publicado ontem no Jornal Leopoldinente: Laranjal, Muriaé e Rosário da Limeira terão ‘Toque de Recolher’ |
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Atualizado em 08/08/09 - 22h45 O Juiz da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Muriaé, Sérgio Murilo Paceli, anunciou a implantação do Toque de Recolher em Muriaé, Rosário da Limeira e Laranjal, para menores de 18 anos que estejam em situação de risco após as 23h. A decisão oficial foi tomada na reunião realizada na quinta-feira, dia 6, no salão do júri do Fórum local, devido ao alto índice de crimes envolvendo menores de idade. O Toque de Recolher entrará em vigor até o final do mês e o juiz contará com duas equipes multidisciplinares formadas por representantes da OAB, Conselho Tutelar, Comissário de Menor, Psicólogos, Assistente Social e as polícias Militar e Civil. "O adolescente ou o jovem que estiver em um baile que tenha alvará, seguranças e toda legalidade, não precisa ser abordado. Nossa preocupação é com o jovem que esteja em situação de risco, pelas ruas da cidade", afirmou o Juiz da Infância e Juventude da Comarca, Sérgio Murilo Pacelli. "Em Muriaé esta medida será de extrema importância, pois iremos prevenir e proteger os menores de 18 anos, quando em risco pelas ruas, em contato com o álcool, drogas e prostituição", completou o conselheiro tutelar e secretário do Comissariado da Criança e Juventude de Muriaé, Wilson de Freitas Soares. Um micro-ônibus vai acompanhar as viaturas e todos pegos em situação de risco serão levados em casa e na terceira vez, será punido de acordo com a legislação do Estatuto da Criança e Adolescente. Uma próxima reunião será realizada com as entidades sociais e clubes de serviços, para solicitação de apoios aos trabalhos. |
RESPONDI AO JORNAL NA SEÇÃO "COMENTÁRIO"
Também concordo e parabenizo o Juiz da Vara da Infância e Juventude da Comarca de Muriaé, Sérgio Murilo Paceli. É isso que nossos adolescentes precisam: medidas de proteção e, certamente, uma delas é não ficar nas ruas pela madrugada. Só DISCORDO INTEGRALMENTE com a separação entre jovens "legalizados e jovens em situação de risco". A única legalização para "menores" nas ruas, em festas ou eventos em horários tardios é se estiverem em companhia dos pais ou familiares, próximos e documentados. LEOPOLDINA precisa urgentemente debater essa questão e tomar medidas efetivas para o cumprimento da lei.
Discordo também do leitor que responsabiliza os pais. Primeiro que atualmente já não existem tanto pais, muitos adolescentes mal têm mães, quando muito uma avó, e como fazer frente a um costume instalado de frequentar a madrugada?
São as autoridades que têm de dar suporte às famílias para que possam argumentar com os filhos que neste país tem lei regulamentando o horário deles em locais públicos.
A outra questão é a proibição de venda ou fornecimento de bebida alcoólica a menores - ARTs. 81 e 243 do ECA - considerada crime com até dois anos de detenção, mas que, em Leopoldina, estão todos se lixando, como disse aquele deputado lá em Brasília. Menores, além de ficar em qualquer lugar pela madrugada, ainda podem comprar ou serem servidos de bebida como se não existisse lei neste país.
Todos os três poderes são responsáveis e especificamente, o Judiciário, ao qual cabe fiscalizar e fazer cumprir a lei. Faz-se urgente uma campanha no município informando, fiscalizando e penalizando todos os locais de venda de bebida alcoólica para que não vendam o produto para menores.
Quando fui Conselheira Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente e o Amauriy Santos era Conselheito Tutelar, tomamos a iniciativa de produzir um grande número de cartazes esclarecendo sobre a lei e as penalidades para quem vendesse bebida a menores.
Fizemos o trabalho hercúleo de ir a todos os bares, clubes, supermercados, armazéns, enfim, ao comércio todo, e pregar os cartazes bem visíveis nas paredes e balcões para que todos vissem e ficassem bem informados sobre os arts. 81 e 243 do ECA. E ainda tentamos fiscalizar por algum tempo, até que fomos vencidos pelo cansaço. Vigorou o ditado "uma andorinha só não faz verão".
Uma outra questão é o preparo da polícia para lidar com a questão, principalmente com adolescentes. O trabalho exige profissionais preparados, com educação, sensibilidade e competência para uma ação preventiva e esclarecedora e não humilhante e punitiva. Um policial é um representante do estado, pago pela sociedade para trabalhar na construção de uma sociedade civilizada e pacífica e, para isso, precisa dar o exemplo de cidadão para a geração mais jovem.