Compartilho com vocês o ipê amarelo do meu quintal...
Para ler sobre o tema:
O debate sobre o PIB: "estamos fazendo a conta errrada"
Quando o navio petroleiro Exxon Valdez naufragou nas costas do Alaska, foi necessário contratar inúmeras empresas para limpar as costas, o que elevou fortemente o PIB da região. Como pode a destruição ambiental aumentar o PIB? Simplesmente porque o PIB calcula o volume de atividades econômicas, e não se são úteis ou nocivas. Na metodologia atual, a poluição aparece como sendo ótima para a economia, e o IBAMA vai aparecer como o vilão que a impede de avançar. A análise é de Ladislau Dowbor. LEIA
"Crescer por crescer, é a filosofia da célula cancerosa"- Banner colocado por estudantes, na entrada de uma conferência sobre economia.
"Burnout"
Duvido quem saiba o que significa a palavra acima. Eu também não sabia, descobri hoje. Vamos lá: é mais uma deferência aos professores,"burnout" é o novo nome para estresse dos professores. Vocês vão entender melhor no artigo abaixo, publicado na Folha hoje (4/6). Para resumir, o autor veminformar que essa "descoberta" recente de falta de capacitação dos professores é uma falácia e que a verdadeira causa do fracasso na educação é o "burnout" dos pobres professores.
No artigo, é citado o desabafo de uma professora doutora, provando que conhecimento ou capacitação não são requisitos para obter sucesso numa sala de aula, no que eu concordo plenamente com o autor. Depois ele dá a fórmula para o bom desempenho do professor:"Menos turmas por professor, apoio multidisciplinar e tempo para se recompor num trabalho tão intenso".
Vamos analisar a questão.
- Menos turma por professor e apoio multidisciplinar já acontecem nas primeiras séries do Ensino Fundamental, justamente nas quais há mais repetência e evasão.
- Tempo para se recompor também é o que não falta. Além de ser a profissão com maior quantidade de férias, é também a que mais tem folga extra durante todos os meses do ano. Vejam, como exemplo, o próximo feriado de Corpus Christi, dia 11, que cairá numa quinta feira, serão quatro dias de ponte até a segunda da outra semana.
Portanto, mais uma bola fora. Todos esses sabichões não conseguem nem chegar perto da verdadeira causa do nosso estrondoso fracasso escolar.
A "frigidez" da escola: saiba o porquê
Conto um fato para vocês que resume exatamente o que acontece com as tentativas de "curar" a escola. Ouvi de um famoso e conceituado médico ginecologista. Ele contou que certa vez chegou um casal para consultar a mulher que sofria de frigidez. Quem falou durante a consulta foi o marido. Ele descreveu à exaustão o quanto a mulher era fria, sempre deixando implícito que considerava aquilo uma doença e que a trouxera para ser tratada e curada. Após ouvir o marido, o médico pediu à mulher que se dirigisse à sala contígua para ser examinada. E levantou-se para encaminhá-la. Nesse momento, fora do alcance do marido, ela murmurou baixinho para o médico: " Nada vai adiantar, eu não gosto dele".
Entenderam? O médico poderia fazer o melhor tratamento, receitar os mais avançados (e caros) medicamentos, recomendar férias e mais descanso,recorrer até a apoio multidisciplinar, tudo enfim, que nada traria resultados porque a mulher 'não gosta' do marido.
Assim acontece com a escola.
Nada vai adiantar, a escola não gosta das crianças.
A escola não tem coração. Como ensinou Dom Juan aoantropólogo estadunidense, Carlos Castanheda, em sua famosa saga convivendo anos na década de 1960/1970 com o xamã mexicano:" Faça a si mesmo uma pergunta: possui esse caminho um coração? Em caso afirmativo, o caminho é bom. Caso contrário, esse caminho não possui importância alguma".
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Segue o artigo:
Educação básica: qualificação ou "burnout"?
RUDÁ RICCI ALGUMAS OPINIÕES divulgadas largamente na grande imprensa criam a falsa impressão (para os leitores, já que pesquisas recentes indicam que a grande maioria dos brasileiros não compartilha dessa análise) de que o problema central da educação básica é a baixa qualificação dos professores. Esquecem-se dos milhões de dólares investidos nos anos 90 a partir de acordos com o Banco Mundial, carreados para amplos programas de qualificação desses educadores. Os recursos não foram poucos, oscilando ao redor de US$ 100 milhões em programas estaduais que deslocaram professores para uma imersão em longas programações que ocorreram em hotéis confortáveis sob a orientação de consultorias particulares, como foi o caso na reforma educacional no Espírito Santo, para citar um exemplo. Para quem não vive o cotidiano das escolas públicas de ensino básico, o problema central não aparece: a total falta de tempo e a sobrecarga de trabalho dos professores. Os professores de ensino básico não têm tempo para se prepararem ou acolher os novos projetos que os transformam em meros executores. A qualificação, então, surge como saída fácil, assim como a premiação por desempenho de alunos. Carta que a professora Áurea Regina Damasceno enviou recentemente à secretária municipal de Educação de Belo Horizonte insurge-se contra esses palpites porque revela o cotidiano das salas de aula. Por esse motivo, já está se tornando um best-seller na internet. A seguir, reproduzo uma passagem dessa carta. "Hoje, dia 19 de março de 2009, vou mais um dia para a escola, (...) busco entusiasmo não sei onde, entro para a sala de aula e inicio repetindo o que tenho falado com os alunos desde o primeiro dia de aula: coloquem o material escolar sobre a mesa e guardem a mochila debaixo da carteira ou dependurada no encosto da cadeira (muitos se deitam, durante a aula, na mochila para dormir ou se escondem atrás dela para dar gritos ensurdecedores sem motivo algum ou para atirar bolinhas de papel enfiadas no corpo das canetas esferográficas). Essa atividade demanda mais ou menos uns 20 minutos, pois metade da sala não ouve ou finge que não ouve, continua a correr pela sala, está virada para trás conversando, está subindo nas bancadas sobre as janelas e de lá pulando de cadeira em cadeira e outros tantos estão a olhar no vazio, sem nada fazer." A professora Áurea é doutora em educação pela PUC-SP (Pontifícia Universidade Católica de São Paulo). A carta continua e parece o roteiro do filme "Entre os Muros da Escola" (2008), de Laurent Cantet. Recentemente, o Sinesp patrocinou uma pesquisa com diretores e especialistas da rede de ensino municipal da capital paulista. Para a maioria, os principais problemas relacionados às condições de trabalho são: acúmulo de funções, demanda burocrática e falta de equipamentos. É recorrente a crítica às demandas sempre urgentes, sem planejamento ou repetidas que os órgãos superiores do sistema educacional impõem regularmente. O principal problema de saúde apontado (31% das respostas) é estresse e depressão. A situação se reproduz em diversas outras pesquisas realizadas pelo país. O SindUTE-MG realizou em Minas Gerais pesquisa com professores da rede estadual de ensino básico e constatou o mesmo que em São Paulo. O nome desse fenômeno é síndrome de "burnout". Originário do inglês "burn out" [queimar-se no fogo], significa a síndrome da estafa profissional. Ela foi descrita pela primeira vez pelo psicólogo H. J. Freudenberger, em 1974, para descrever um sentimento de fracasso e exaustão. Essa síndrome constitui um quadro bem definido, caracterizado por exaustão emocional, despersonalização e redução da realização pessoal. A exaustão emocional representa o esgotamento dos recursos emocionais do indivíduo. A UnB (Universidade de Brasília) já constatou esse fenômeno que acomete professores do ensino básico do nosso país. Assim, parece urgente um mergulho no mundo real da educação básica para que afastemos opiniões que não conseguem ser algo mais que meros palpites, sem base científica. A carta da professora Áurea revela que, mesmo sendo doutora, não tem as condições mínimas para fazer valer esse título. A reorganização do tempo e das condições básicas de trabalho é a pauta urgente do momento. Menos turmas por professor, apoio multidisciplinar e tempo para se recompor num trabalho tão intenso é o mínimo que se pode exigir. * RUDÁ RICCI, sociólogo, doutor em ciências sociais, é consultor do SindUTE-MG (Sindicato Único dos Trabalhadores em Educação de Minas Gerais) e do Sinesp (Sindicato dos Especialistas de Educação do Ensino Público Municipal de São Paulo). rudaricci.blogspot.com
Os sem noção
Mais uma barreira para nossas crianças pobres na escola
Após ler a notícia "Comissão do Senado aprova projeto que condiciona Bolsa Família à presença de pais em reunião escolar" (leia aqui) fiquei mais desanimada de alguma melhora em nossa educação pública.
Nossos legisladores estão totalmente por fora, não têm a mínima noção da nossa realidade. Vejam esta agora de obrigar "os pais" a irem às reuniões da escola.
Pais, que pais? Será que não sabem que não existe mais "pais"? Quando muito, crianças e adolescentes pobres têm "mãe", muitos nem isso, consta um responsável que, por sua vez, tem seus próprios filhos e já fazem muito de abrigar uma criança em situação de abandono.
Vejam um exemplo: ano passado, tentei fazer um menino "de rua" ir para a escola. Após a novela habitual da resistência para conseguir matrícula para uma criança nessa condição e mais outra novela para conseguir os documentos, a escola veio com outra exigência: o responsável. Fui obrigada a ir atrás de "um responsável" que fosse à escola assinar a papelada e assumir o garoto. Raciocinem: isso para um menino, imaginem quantos nessas circunstâncias.
Outro exemplo: temos em Leopoldina a Casa Lar que abriga crianças e adolescentes fora da família. A mãe social mal tem tempo e condições de dar conta de cuidar das 10 a 12 crianças que se mantêm na casa diariamente. Como ela iria a reuniões de tantas crianças?
Então, com essa lei em vigor, será mais um obstáculo, entre tantos, para as crianças pobres, ou em situação de risco, estudar.
Nossos legisladores, de tanto tomar avião para a Europa e outros países de primeiro mundo, ficam impregnados dessa realidade e fazem leis para crianças suecas, inglesas, japonesas, etc, jamais para as brasileiras que eles nem conhecem, a não ser os amiguinhos de seus filhos que frequentam suas casas.
A não ser suas excelências acrescentassem um artigo na lei: - Para as crianças "sem pais", será enviado um deputado ou senador para representá-las na reunião.
Que acham? Será que eles aceitam a incumbência?
Para quem não quiser abrir o link da notícia, transcrevo na íntegra:
Foi aprovado nessa terça-feira (2) projeto de lei que coloca a participação dos pais em reuniões escolares como condição para o recebimento do Bolsa Família. De autoria do senador Cristovam Buarque (PDT-DF), o texto foi autorizado em decisão terminativa pela Comissão de Educação, Cultura e Esporte do Senado.
Antes da aprovação, a relatora Marisa Serrano (PSDB-MS) realizou mudanças no projeto, estabelecendo que os encontros devam ser feitos em horários compatíveis com o do trabalho dos pais ou responsáveis e que as reuniões estejam de acordo com a proposta pedagógica da escola. Por ser um texto substituto, ele deverá ser votado novamente na comissão antes de ir para a Câmara.
A senadora Fátima Cleide (PT-RO) demonstrou preocupação com o custo do transporte dos pais até as escolas e se absteve de votar. Já o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) votou contra o projeto.
O objetivo da lei, segundo a relatora Marisa, "é que os pais participem mais ativamento do acompanhamento do trabalho escolar dos filhos". ( UOL Educação)
Juan Luis Guerra - Burbujas de Amor
Domingo também é dia de música...
Trouxe minha mais recente paíxão: Juan Luís Guerra, dominicano, arrasou na oitava edição do Grammy Latino, conquistando os cinco prêmios para os quais estava indicado e ainda sendo eleito a Pessoa do Ano por sua dedicação a tarefas humanitárias.
Recebi este vídeo do meu grande amigo Evandro Fajardo que me alimenta de música:
MAIS MARCHAS...
Marcha dos reprovados, marcha dos que se rebelam, marcha dos que se recusam a uma obediência servil, marcha pela decência, marcha pela superação da semvergonhice que se democratizou neste país, marcha dos que querem ser e estão proibidos de ser...
Leiam do blog DIÁRIO GAUCHE sobre o projeto do Chalita com “lista negra de alunos malcriados”:
A MARCHA DOS MALCRIADOS
O vereador e ex-secretário da Educação do Estado de São Paulo, Gabriel “Torquemada” Chalita (PSDB) conseguiu aprovar dias atrás na Câmara Municipal de São Paulo seu primeiro projeto legislativo. Ele prevê a criação de uma “lista negra de alunos malcriados” da rede municipal de São Paulo. Esses alunos serão apontados como na Inquisição e serão queimados simbolicamente pelo poder público, conforme a intenção do vereador tucano. O projeto não trata dos alunos de classe média e alta das escolas privadas paulistanas. ------------------------------ Quando li essa notícia, imediatamente lembrei dessa fala do grande pedagogo Paulo Freire (no vídeo acima), que diz dos desabusados, da necessidade de haver no Brasil muitas marchas, marchas dos que não tem amor, dos ofendidos, dos que buscam por mais democracia, a marcha dos malcriados, dos que são colocados em índex por não saberem se comportar segundo as normas das oligarquias. Os brasileiros precisam marchar mais.
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NOTA - Ainda não li o projeto do Chalita, mas sobre a questão dessa lista negra de alunos será apenas a formalização porque a lista já existe na prática das escolas. Funciona assim: a mãe (ou responsável) vai matricular um(a) aluno(a) vindo de outra escola e a "lista negra" já entra em ação. Se o candidato à matrícula tem um histórico de "malcriado e rebelde", a escola diz que não tem vaga ou, se aceita (puramente por receio de uma denúncia) faz a matrícula e depois, aos poucos, maquiavelicamente, vai expulsando o aluno. É uma questão de tempo e suportabilidade da criança ou adolescente. Se ele (a) suporta bem a tortura do desprezo, do escárnio, das agressões, consegue ficar um tempo na escola. Mas, se for criança ou adolescente saudável, dos que se rebelam, com pouco tempo, eles se evadem. A escola vibra quando esses alunos da "lista negra" se mandam, pois só quer aluno "padrão": quietinho e caladinho. Interessante que, mais tarde, mergulhados na exclusão e marginalidade, esses "meninos" serão muito bem acolhidos nas prisões, de lá nunca serão expulsos, nem nunca faltará vaga. Como bem disse nosso grande Millôr Fernandes:
"No Brasil, as únicas portas que estão sempre abertas a toda a população abaixo da classe média são as da cadeia."