Dando uma passada no blog do meu amigo Roberto Balestra, encontrei a postagem intitulada AMIGA com vídeo do Roberto Carlos e Bethania cantando esta música. Fez-me lembrar uma época extremamente dolorosa da minha vida em que uma amiga enviou-me justamente uma gravação desta música para me consolar. Com o tempo, a dor passou, com ela o esquecimento da música. Mas foi bom lembrar o gesto da amiga e do quanto é vital termos amigas (os) para nos apoiar nos momentos difíceis. Trouxe a música para vocês, pode ser que alguém esteja precisando de uma AMIGA...
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Garimpo
"Coisa dolorosa feita de barro e poeira, o homem no seu quarto, de noite, pelejando pra escrever no papel, com lápis, nó e tropeço, a dor do seu peito."
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"Já não basta ser gente pra encanecer de dor? Ainda têm as escolas que se aplicar neste esmero de esvaziar dos meninos seu desejo de bois, grama e pequenos córregos? Ó ofício demoníaco de encher de areia e confusão o que ainda é puro e tenro cálice."
(Adélia Prado)
PORQUE HOJE É SÁBADO
Dia de saudade...Jovem guarda
Mesmice 2
Carta de uma recém formada em pedagogia
São Paulo, 29 de maio de 2009
Prezado Ministro da Educação
Sr. Fernando Haddad
Li nos jornais que o senhor quer melhorar os cursos de pedagogia. Vai exigir que os cursos tenham “brinquedoteca” e que exista computador para cada 30 alunos etc. Quer modificar o contato dos alunos com as escolas. Quer exigir mais dos cursos. Tudo isso é louvável, mas, acredite em mim, não vai mudar nada.
Fiz o curso de Pedagogia na Universidade de São Paulo. Formei-me faz pouco tempo. Julgo que tive uma boa formação, inclusive do ponto de vista prático, pois fiz bons estágios. Logo que acabei, arrumei uma escola para trabalhar. Era uma escola particular, relativamente boa. Todavia, não fui ao emprego nenhum dia. Pois o salário não compensava.
Trabalho em uma clínica de dentista, como secretária. Ganho 1.500 reais. Na escola, com mais de 50 alunos na classe, eu ganharia 760 reais, não mais que isso. Na clínica meu trabalho é simples, e ainda tenho tempo de ler e sair cedo para voltar para casa. Atendo telefone, faço agenda e, às vezes, compro material. Na escola, eu sairia tarde e teria de voltar para reuniões. Além disso, na escola, como me avisaram, eu teria de limpar as crianças no banheiro. Caso alguma se machucasse, eu seria a responsável. E pior: eu teria de conversar com os pais, ver o que estaria acontecendo em casa, caso a criança apresentasse qualquer problema.
Como o senhor vê, não adiantou eu me formar na USP. Não adiantou eu fazer um bom curso, onde li muita coisa que em outras faculdades não é solicitado. E fiz trabalhos práticos que em outras faculdades não é pedido. Meu estágio foi real, enquanto que colegas minhas, em faculdades particulares, fizeram estágios falsos. Todavia, tanto eu quanto elas estamos na mesma: não pudemos seguir a vocação. Tivemos de optar por outro emprego.
Aqui, o governador de São Paulo também sabe falar mal dos cursos de Pedagogia. Ele fala sem razão. O senhor também não está contente com os cursos de Pedagogia. Mas o problema é que a educação das crianças não vai mal por causa do curso de Pedagogia, vai mal porque ninguém pode ser professor. Nem quem quer muito, como era meu caso, pode seguir a carreira.
Dizem que há o piso salarial. Ora, o piso não chega a 900 reais, não é? Não é possível pagar aluguel, comer, comprar livros e pagar transporte com esse piso. Um apartamento de apenas um quarto, relativamente perto da escola que eu iria trabalhar, era mais de 500 reais de aluguel, fora o condomínio. Nem mesmo eu, que sou sozinha, poderia ajudar lá na casa dos meus pais se ganhasse só o piso. A profissão de professor não poderia ser alguma coisa tão ruim, tão desvalorizada. Isso é o que importa.
As medidas que o senhor está anunciando, no fundo apenas aumentarão a mensalidade dos cursos de pedagogia das faculdades particulares. Eles repassarão para os alunos o que o MEC está impondo de gastos a mais. Mas não irá resolver o problema da melhoria do ensino. E ainda por cima irá fazer as pessoas gastarem mais para fazer o curso de Pedagogia. Isso vai só atrapalhar, vai só fazer com que menos gente queira fazer o curso.
Agradeço sua atenção
Deus o proteja
Mariana Ferraz de Oliveira.
COMENTÁRIO
Acabei de ler essa carta em um grupo do Yahoo. Pois é. Falei sobre isso na postagem anterior. Quando li o título da mensagem, fui toda animada pensando: uma professora recém formada, cheia de ideias novas para sugerir ao ministro da educação. Abri a mensagem e... a pandemia do vírus da mesmice: salário. Ufa, não aguento mais.
Pelo menos, algo positivo: esta pessoa tão mediocre, que adora o trabalho de "Atendo telefone, faço agenda e, às vezes, compro material", não quis emprego na escola onde faria o "terrível trabalho" de "limpar as crianças no banheiro. Caso alguma se machucasse, eu seria a responsável. E pior: eu teria de conversar com os pais, ver o que estaria acontecendo em casa, caso a criança apresentasse qualquer problema".
Conversar com pais. Imagine que nunca passaria pela minha cabeça que isso seria um sacrifício (eu adorava conversar com a família dos meus alunos, considerava produtivo para a minha relação com eles e também agradável conhecer pessoas da comunidade).
Enfim, vá com Deus, professorinha, espero que não mude de ideia quando se der conta de que tem de conversar com os clientes do dentista (olha, costumam ser bem exigentes...) ser agradável com todos ao telefone, responsável com as crianças (dentista também atende criança, sabia?).
Ah, uma lembrança: você disse que arrumara emprego numa escola particular, sobre a qual lhe passaram as informações de "tanto sacrifício" de aguentar crianças e pais... Saiba que se for para a escola pública, esses sacrifícios são dispensados, ninguém lhe cobrará uma conversa com os pais, se alguma criança se machucar ou deixá-la suja sem limpeza no banheiro. Na escola pública, pode.
Mais um lembrete: cuidado para não adoecer, porque não poderá faltar. Se o fizer, no outro dia poderá encontrar outra no seu lugar, há milhões neste país querendo qualquer emprego. Os dentistas e outros profissionais têm, felizmente para eles, a opção de escolher os melhores, mais competentes, mais responsáveis e mais... saudáveis.
A mesmice do salário dos professores
É impressionante!!! Não se consegue ler um artigo sobre educação na imprensa que não bata na mesma tecla "salário". Será que outras profissões estão nadando em dinheiro, já que só o magistério conta com defensores na imprensa? Aliás, em tudo. Já viram em reuniões nos legislativos estaduais quando algum deputado pega o microfone para falar de professores? Só falta mesmo o altar para completar a canonização dos santos. É um tal de desvalorização do professor, que já virou um clichê sem volta. Leiam o editorial da Folha de hoje
O futuro do ensino
Censo da educação básica revela deficiência crônica na qualificação docente cuja reversão depende de tornar carreira atrativa
O CENSO da educação básica de 2007, preparado pelo Inep (instituto de pesquisas do Ministério da Educação), traça um perfil preocupante do professor brasileiro nas redes pública e privada de ensino. Em todos os níveis de instrução há parcelas significativas de mestres, no mínimo 13%, sem a formação mínima exigida em lei. O caso mais grave se localiza entre a 5ª e a 8ª séries do ensino fundamental, com 27% de profissionais não qualificados. Um contingente pequeno, 16 mil do 1,8 milhão de docentes, só estudou até o fim do ensino fundamental. Pela legislação, não poderia dar aulas. Particularmente alarmante é a situação no ensino de disciplinas estratégicas -como física e matemática- para o desenvolvimento profissional na economia tecnológica dos tempos atuais. No ensino médio, só um quarto dos professores de física tem licenciatura na área. Em matemática, 34%. Mesmo não sendo a única mazela da educação nacional, a qualificação deficiente dos mestres ajuda a explicar o péssimo desempenho de nossos estudantes em provas internacionais. Resulta, com certeza, da contínua desvalorização da profissão docente, para a qual contribuiu uma gama de fatores que não cabe analisar aqui. Importa é olhar para o futuro, que apresenta duas ordens de desafios. A primeira consiste em dotar o magistério da condição de disputar os melhores talentos saídos das universidades. Com um rendimento médio de R$ 1.335 por mês, segundo a Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) de 2007, parece difícil. Entre 30 ocupações com nível universitário listadas na Pnad, as cinco mais mal remuneradas são todas docentes.
Melhorar os salários, assim, constitui providência imperativa, mas não suficiente. Nenhum jovem promissor vai atrelar seu futuro a uma profissão que não ofereça uma carreira estruturada e boas condições de trabalho, o que inclui disciplina e segurança no ambiente de ensino. Além disso, há que dotar o recém-chegado do ferramental didático que as faculdades de educação em geral abandonaram, em favor de divagações teórico-sociológicas. A mesma deficiência precisa ser sanada no caso dos professores que integram as redes públicas de ensino e nela ficarão por anos ou décadas, a segunda ordem de desafios. Antes, ou em paralelo, urge fazer com que satisfaçam ao menos a exigência legal de graduação universitária, dificuldade que os governos federal, estaduais e municipais bem ou mal já atacam. Aqui e ali, sistemas de avaliação e bonificação por desempenho começam a fornecer incentivos corretos para que professores prossigam aperfeiçoando-se. Ainda é cedo para verificar a eficácia desses dispositivos, mas eles decerto não dispensam o investimento na requalificação do quadro docente atual. O maior desafio é elevar o desempenho médio dos alunos ao menos no que é essencial -a escrita, a compreensão de textos, as operações matemáticas.
Se a imprensa não mudar, tem jeito não...
Essa mania da imprensa de tratar o professor como pobre coitado causa deformação em tudo que sai sobre educação na mídia.
Do artigo abaixo, quero me ater ao seguinte trecho:"O salário médio de um professor de ensino médio com nível superior no Brasil era de R$ 1.335 em 2007. Isso representa dois terços dos rendimentos de um enfermeiro diplomado (R$ 2.022), metade do que ganham jornalistas (R$ 2.767) e 27% do obtido por médicos (R$ 4.865)".
Observem: não é informado ao leitor a diferença entre o emprego de professor e as profissões citadas:
- A carga horária do professor é a metade das profissões comparadas
- As férias dos professores são dobradas ou triplicadas (início, meio e fim do ano)
- Professor pode faltar, tirar licenças, emendar feriados à vontade. (Dia desses, li na comunidade de professores do Orkut uma professora dizer que muitas vezes chega na porta da escola e resolve não ir trabalhar, volta para casa. Numa boa. Se fosse um enfermeiro ou jornalista, o que aconteceria com ela?)
- Professor aposenta com menos cinco anos que os simples mortais de outras profissões.
- Professor tem ESTABILIDADE no emprego. sabem o que significa isso? Significa que ele pode ser péssimo profissional que continuará no emprego. NADA, NADA MESMO poderá demiti-lo. Imaginem o que aconteceria com o emprego de um péssimo enfermeiro ou jornalista...
- Professor pode "meter o pau" no seu empregador - o governo - e nos seus clientes - os alunos-, pode até, num acinte à ética e ao respeito, espalhar os "erros" dos alunos na internet, numa boa... Imaginem um enfermeiro zombando de seus doentes, divulgando suas doenças ou um jornalista desmoralizando o jornal em que trabalha, na internet e outros meios de comunicação?
- E os sábados? Será que enfermeiros e jornalistas não trabalham aos sábados, como os professores?
Segue o artigo publicado ontem na Folha de São Paulo:
Com esse salário, quem quer ser um professor?
ANTÔNIO GOIS Um dos problemas mais graves detectados no censo do MEC com professores é o alto percentual dos que dão aulas de física, matemática e química no ensino médio sem formação nessas áreas. Em 2007, o Conselho Nacional de Educação já alertara que havia um déficit na formação de professores nessas disciplinas, evidenciado também pela dificuldade dos Estados de preencher vagas em seus concursos. A principal explicação para isso depende de uma informação que o censo do MEC não traz, mas que pode ser obtida na Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE. Na comparação de 30 ocupações que exigem nível superior, as cinco de menor rendimento médio são todas relacionadas ao magistério. O salário médio de um professor de ensino médio com nível superior no Brasil era de R$ 1.335 em 2007. Isso representa dois terços dos rendimentos de um enfermeiro diplomado (R$ 2.022), metade do que ganham jornalistas (R$ 2.767) e 27% do obtido por médicos (R$ 4.865). É verdade que há evidências empíricas de que salários maiores não significam melhores notas de alunos nas avaliações do MEC. Mas esse é um dado que capta apenas um efeito imediato. Sabe-se, a partir de um estudo da consultoria McKinsey, que os países com melhor desempenho educacional são os que selecionam para suas escolas os profissionais mais bem capacitados. Para isso, não há dúvida de que a remuneração é um fator essencial. No Brasil, dados do questionário socioeconômico do Enade (exame substituto do provão) mostram que vamos em direção oposta: os alunos em cursos de formação de professores são os mais pobres, de famílias menos escolarizadas e que mais estudaram na rede pública. Em áreas em que o número de formados já não dá conta da demanda -caso de matemática, física e química- o problema fica ainda mais agudo. Os melhores que se formam nessas licenciaturas se deparam com escolhas como essas: receber R$ 1.335 como professor ou, por exemplo, fazer um concurso público para bancário, cuja remuneração média para nível superior é de R$ 2.216? Sem salários atrativos, não há vocação que resista. Resta às escolas darem um jeitinho para que os alunos não fiquem sem aulas dessas áreas.
Folha de São Paulo, além da redução da maioridade penal, justiça com as próprias mãos e chamar os adolescentes de bestas-feras, agora pede "pena de morte já!"
Eu me pergunto: será que o Ministério Público paulista não lê a Folha de São Paulo? Será que nenhuma autoridade lê a FSP? E se leem, por que não tomam as providências legais em defesa de nossos adolescentes? Interessante que li faz pouco tempo que Doca Street, o assassino de ângela Diniz, foi indenizado em cerca de 200 mil reais por ter sido exposto na imprensa em função do seu crime. Matou, cumpriu uns aninhos na prisão (menos que um menor) entrou na justiça contra a imprensa e ganhou indenização. Pois é, os "de maior" podem tudo. Matar namoradas, esposas, amantes, e até quem mexe com a namorada como aquele promotor Thales Schoedl emBertioga/SP, e a imprensa sociedade aceitam tudo passivamente. Mas, se fossem menores, ah, pena de morte, já! Como entender tal comportamento no Brasil?
Leiam as cartas no Painel do Leitor de hoje:
"Pena de morte já para quem, além de violar um domicílio, assalta e em seguida mata as suas vitimas! É isso ou, cansado de frequentar velórios de pessoas assassinadas a sangue frio por essas bestas-feras que nada temem de nossa bondosa Justiça, o povo partirá para rasgar a Constituição federal, que mais protege a vida de bandidos do que a dos cidadãos honestos. O povo vai querer fazer justiça com as próprias mãos. É uma questão de tempo. Redução da maioridade penal e pena de morte já! O povo não aguenta mais tanto medo e terror com a insegurança pública." PAULO BOCCATO (São Carlos, SP)
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Ser ouvida "Mais uma vez deparamos com a notícia de uma tragédia, ocorrida agora na cidade de Rio Claro (SP), onde um marmanjo assassino, que age sobre o manto da impunidade dessa maldita lei -o Estatuto da Criança e do Adolescente-, entra em um condomínio de luxo e assassina uma criança de 8 anos. Até quando teremos de aturar isso? Quando nossos brilhantes representantes em Brasília vão acordar para a nossa realidade? Como podemos tratar como uma criança que fez apenas "uma travessura" um homem de 17 anos que atira na cabeça de uma criança para roubar? Já passou da hora de a sociedade civil organizada se mobilizar, especialmente as classes A e B, pois só elas têm o poder de falar e de serem ouvidas na capital federal." GILBERTO RIBEIRO DA SILVA (Carapicuíba, SP)
FOLHA DE SÃO PAULO TAMBÉM ODEIA "MENORES"
Diante da informação de que um dos assaltantes que mataram a menina Gabriela tratava-se de um "menor", a sociedade fica indignada, como é de costume, e muitos escrevem para a seção Cartas dos jornais para extravasar o ódio contra nossos adolescentes. Trouxe duas pérolas da Folha de São Paulo:
Morte em Rio Claro "A forma como o ECA tem sido aplicado transformou-se em ferramenta de demagogos e de pessoas sem o menor escrúpulo, que usam essa lei para defender, a qualquer custo, o crime praticado por menores, indiferentes à dor provocada em famílias inteiras. Enquanto os que têm a responsabilidade para mudar essa aberração jurídica ficarem de "papo pro ar", sem nada fazer, Gabrielas continuarão sendo mortas de forma covarde pelas mãos de monstros menores de idade. Essa lei maldita tem funcionado como uma clara apologia ao espírito de passar a mão na cabeça, evidenciando que aquilo que deveria ser um ato moderno e justo tornou-se, na verdade, uma máquina de produção em série de marginais." PETER GUIMARÃES STOIMENOF (Brasília, DF) 23/5
ECA "Concordo plenamente com a opinião do leitor Peter Guimarães ("Painel do Leitor", 23/5) sobre as consequências do ECA. Este acaba por deixar diretores, coordenadores pedagógicos e professores de "mãos atadas" com relação à indisciplina escolar. Os tumultos em duas escolas públicas na capital paulista mostram que a aplicação do ECA beneficia o menor infrator, com excessos de direitos e sem nenhum dever. Onde vamos parar?" AUREA ROBERTO DE LIMA, professora (São Paulo, SP) 25/5
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O que mais me intriga é perceber o grau de desconhecimento dessas pessoas sobre a vida de nossos adolescentes pobres e a total ignorância sobre o ECA, o Estatuto da Criança e do Adolescente.
E mais grave ainda é constatar que um jornal da estatura da FSP também compartilha a ignorância do ECA e, pior, o ódio às crianças brasileiras, pois entre tantas cartas, eles publicam justamente as que destilam veneno contra nossos "menores". Escrevi a minha carta contestando o leitor acima e a Folha pela publicação de opiniões fascistas e, óbvio, não publicaram. Reclamei com o responsável pela seção Painel dos Leitores e ele, estrategicamente, me respondeu:
Prezada sra Maria da Glória
Sua carta é muito boa, mas como a senhora já a encaminhou para o blog, não posso publicá-la no Painel do Leitor, onde só publicamos comentários inéditos. Se a senhora quiser mandar-nos outra mensagem, fique à vontade.
Atenciosamente
Tedesco
Ou seja, a Folha está se lixando para as consequências de tais publicações na vida de nossas crianças e adolescentes, num país onde a violência contra este segmento chega a níveis alarmantes. Se ela escolhe as cartas que publica significa que o leitor expressou a opinião do jornal. Quando eu reclamei e disse que publicaria no meu blog, ele usou como desculpa para não cumprir com o dever do bom jornalismo de publicar opiniões divergentes. Segue a minha carta não publicada na FSP:
Fico pasma não só com a carta do leitor Peter Guimarães Stoimenof de Brasília (Painel do Leitor, 23/5) referindo-se ao ECA como "lei maldita" como também com a Folha por publicar uma opinião intolerante, distorcida e marcadamente de caráter fascista.
Primeiramente, quero esclarecer ao leitor que menores praticam crimes não em função da existência do ECA, mas sim em função do não cumprimento do ECA. Se o estatuto fosse cumprido, esse menor e tantos outros infratores, em vez de estarem praticando crimes, estariam em uma família estruturada, na escola, numa praça de esporte ou mesmo exercendo algum trabalho condizente com a lei.
Em segundo, engana-se o leitor no uso da expressão "passar a mão na cabeça", pois o que se passa na cabeça dos meninos pobres é régua, cassetete, e outros objetos afins, isso sem falar nas agressões verbais que minam a autoestima dos filhos das classes empobrecidas, empurrando-os para a marginalidade.
Em terceiro, onde está a impunidade? Que o leitor e demais brasileiros, que compartilham seu ódio aos menores, passem uns dias nos centros de detenção de menores para saber o que são três anos de prisão nesses lugares. E verão que, na verdade, a pena é prisão perpétua e em alguns casos, até pena de morte, pois muitos saem num caixão.
ACERTANDO O PASSO
* ESCUSAS
Catarata à vista
Passei dias cuidando dos achaques da idade: a terceira dentição e o preparo para operação de catarata. Chegou a um ponto de risco para minha visão que tenho de enfrentar mais uma vez o bisturi, desta vez dentro dos olhos. Lembrei-me da pena que senti ao saber da cegueira do Jorge Luis Borges e, na época, com a minha visão ainda perfeita, pensei que seria também para mim o que de pior poderia me acontecer, já que livros sempre foram meu porto seguro, o amigo de todas as horas, a companhia na solidão, o consolo das noites insones, o achado do tesouro da herança humana em sua infinita variedade. Não seria possível viver sem ler. Com o advento da catarata, não conseguindo ler sem o sofrimento de estar puxando a vista como quem puxa o ar dos pulmões, decidi pela operação. Fui a uma clínica em Juiz de Fora fazer os exames preliminares e marcar a cirurgia para o mês que vem. Daí a minha ausência do blog durante uma semana. Peço desculpas aos meus leitores por não avisar. Agora, já sabem: ausentei-me?, são os achaques da idade. O atual: catarata.
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* Maravilha
Aproveitei esses dias longe do PC para ler "O amor nos tempos do cólera"do colombiano Gabriel García Márquez. Comecei com má vontade, pelo tamanho do livro e a dificuldade da catarata, mas valeu, gente, o final é um dos mais lindos e tocantes de todos que já li. Transcrevo um trecho que não tem a ver com a história de amor do livro, mas é bem a cara dos autores da nossa América latina:"Vou fazer 100 anos e já vi mudar tudo, até a posição dos astros no universo, mas ainda não vi mudar nada neste país - dizia - aqui se fazem novas constituições, novas leis, novas guerras a cada três meses, mas continuamos na Colônia". (lembrei da escola...)
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*Sugestão de entrevista
Uma entrevista fantástica com Rita Lee, na qual a cantora fala com naturalidade dos achaques da idade, dos seus pânicos, das manias, e o mais tocante: da luta contra o alcoolismo. É muito bacana, uma figura pública se expor e dizer com todas as letras: "sou alcoólatra", não posso vacilar, "então bebeu o primeiro, f..."clique aqui para entrevista completa no site do O Globo.
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* A praga do analfabetismo
No jornal deste domingo:
Números do analfabetismo
BRASIL: 14,1 milhões
MINAS GERAIS: 1,3 milhão
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NEGROS EM MINAS SÃO MAIORIA
Minas tem 53% da população negra
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GARIMPO
"A mesmice é acachapante" (escritor Silviano Santiago)