ESCOLAS PARAM AULAS PARA FAZER BALADAS (SP)
A notícia é tão absurda, tão descarada, que preferi copiar a página do jornal para não haver descrença, como aconteceu comigo. Quando li a notícia no blog da Cremilda, pensei: não é possível, deve haver um engano. Pois aí está a primeira página do Jornal da Tarde de sábado (16/5) com a chamada para a notícia também copiada abaixo.

Escola suspende aula para baile funk
Alunos de pelo menos seis escolas foram dispensados este ano para realização de festas
Marcela Spinosa, Felipe Oda e Fábio Mazzitelli
Alunos de pelo menos seis escolas estaduais da capital foram dispensados mais cedo neste ano ou não tiveram aula para que as unidades de ensino abrigassem uma “balada” promovida em parceria com a Rádio Metropolitana FM.
As festas - batizadas pela emissora de “Descolada” e também realizadas em colégios particulares - eram realizadas nas escolas do Estado há pelo menos dois anos e, em geral, às sextas-feiras, o que causava a suspensão das aulas do período noturno. Além disso, havia cobrança de ingresso e o dinheiro era repartido entre as Associações de Pais e Mestres (APMs) das escolas e uma empresa criada por representantes da emissora de rádio. A cessão do prédio para ganhos comerciais de terceiros contraria os princípios do colégio, e do serviço, público, na visão de especialistas. Recursos obtidos com eventos comunitários nas escolas públicas - como festas juninas, por exemplo - têm de ser revertidos exclusivamente para a melhoria dos colégios, por meio das ações das APMs.
Ontem à noite, a balada estava marcada para a Escola Estadual Padre José de Anchieta, no Brás, na região central, mas foi cancelada durante a tarde, depois que a reportagem questionou a Secretaria de Estado da Educação sobre o evento. A pasta, que abriu apuração preliminar para apurar os fatos, afirma que desconhecia essas festas, nunca fez parcerias e que as baladas agora estão proibidas. “Não haverá evento na Escola Estadual Anchieta nem em nenhuma outra escola da rede estadual de ensino”, anunciou a secretaria.
Balada pop
Nos bailes, guardados por seguranças particulares da empresa organizadora, os sons vão do funk à black music, passando por hip-hop e psy trance (música eletrônica). Para entrar, é preciso comprar convite. Quem adquire antecipadamente paga entre R$ 7 e R$ 8. Na hora, o preço é R$ 10. Na Padre José de Anchieta, segundo uma integrante da direção da escola, foram vendidos cerca de cem ingressos de forma antecipada. As festas costumam reunir centenas de jovens, a maioria entre 12 e 21 anos. Começam às 18h e seguem até 22h ou 23h. No caso da escola estadual Eduardo Prado, que recebeu a “Descolada” em 17 de abril, a festa terminou às 2h, de acordo com os estudantes.
Na Anchieta, segundo a funcionária que não quis se identificar, a APM da escola ficava com 40% do dinheiro arrecadado e a empresa promotora do evento com o restante. A reportagem encontrou em contato ontem à tarde com a assessoria de imprensa da Metropolitana FM, mas a emissora afirmou que o diretor responsável pelos eventos não foi localizado.
Segundo o JT apurou, o projeto “Descolada” é promovido pela emissora como um evento escolar e o projeto é enviado por e-mail aos diretores - a empresa organizadora cede o DJ, os equipamentos, as luzes e os seguranças. Alguns diretores aceitam abrigar a festa, mas outros, não. Pelas regras, a venda de bebidas alcoólicas seria proibida nesses eventos.
Na Antonio Firmino de Proença, escola depredada anteontem, a balada noturna e a dispensa dos alunos gerou uma reclamação formal de uma mãe à Secretaria da Educação, em abril. Os alunos, no entanto, dizem gostar das festas.
A escola Anchieta diz que, ontem, a dispensa dos alunos ocorreu por causa do conselho de classe e afirmou que o dinheiro arrecadado com as festas - que ocorrem há dois anos na unidade - é usado em despesas do cotidiano escolar. Como exemplo, uma funcionária citou a necessidade de tirar fotocópias de provas bimestrais, já que as duas máquinas da unidade estariam quebradas. O custo das cópias chegaria a R$ 1.600 - a escola tem 1.600 alunos.
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SECRETÁRIA NÃO SABIA DAS FESTAS
A Secretaria de Estado da Educação diz que abriu apuração preliminar para apurar os fatos e que desconhecia essas festas, nunca fez parcerias e que as baladas agora estão proibidas. Uma pergunta: se a secretaria de educação não sabe de festas desse teor em suas escolas, mais o que ela não sabe do que se passa no ambiente escolar???
Parabéns aos jornalistas que fizeram a descoberta e informaram à secretária. Só mesmo a imprensa para dar fim à corrupção e às irregularidades dentro das escolas pública.