Porque hoje é sábado

 
ABUSO DE PODER NAS ESCOLAS

 

Recebi um pedido de socorro de uma professora. Ao ler seu relato, lembrei-me das minhas agruras na escola ao ser perseguida por fazer cobranças em relação ao tratamento dispensado aos alunos e por me esmerar na preparação das minhas aulas. Era a "Caxias", a "subversiva", a "encrenqueira". O autoritarismo reinante gosta de pessoas passivas e omissas. Isso nunca fui e nunca serei. Ademais, não sou candidata a "miss simpatia". É triste constatar que nada mudou. Aliás, mudou para pior: o descaso pelos alunos sofreu evolução: transformou-se em ódio ferrenho.

 

ABUSO DE PODER EM MINAS GERAIS

 

Em nossa região (Santa Luzia - MG) as relações são muito difíceis, há uma cultura de patriarcado, uma cidade “sem lei”. A disputa política se estende ao ambiente escolar e as diretoras costumam perseguir profissionais que se destacam, por medo de perderem o poder. Sempre trabalhei com turmas mais “difíceis”, chamadas de “restolho” e “lixo” (era assim que alguns colegas se referiam aos alunos com dificuldade de aprendizagem

 Quando tomei posse em meu cargo, 2006 passei por muitas dificuldades, pois percebi que o respeito ao alunado – suas opiniões, direitos e necessidades reais- jamais foi consolidado. Fiz denúncias sobre os abusos de poder na E.E. Tancredo de Almeida Neves pela direção (vices que impediam a entrada de alguns alunos do noturno, reprovações em massa sem direito às recuperações), mas de nada valeram. Não bastasse a total falta de estrutura (duas das minhas três turmas não tinham livro didático, as carteiras estavam quebradas, quadro negro esburacado, falta de segurança...) , falta também estrutura pedagógica e por questionar essa situação tenho sido perseguida pelos dirigentes.

 Ao iniciar meus trabalhos nas escolas criei muitas formas de lecionar (jogos didáticos, dinâmicas e etc) e criei um forte laço de educadora amiga com meus alunos. Nossas trocas de experiência me ensinaram a valorizar ainda mais meu alunado e nosso convívio tem sido a minha única alegria - e a que realmente importa – sendo nosso trabalho conjunto e com frutos visíveis, comecei a incomodar “o comando direto”, a chefia imediata.

Quando eu estava em período probatório fui ameaçada por uma vice diretora que gritou comigo no corredor da escola, na frente de meus alunos e posteriormente pediu-me que eu tomasse cuidado com o que dizia, pois estava em período probatório”.

Desde a minha reclamação na superintendência passei a ser ainda mais perseguida, fui coagida, sofri retaliações torpes. Pedi transferência para outra escola da região e em três meses de convívio, o inferno recomeçou. Por várias vezes tentei conversar com a diretora que nunca cumpria o combinado e retaliava toda e qualquer tentativa de melhoria no ensino.

Promovi palestras na escola: poetas, psicólogos, profissionais da saúde; as palestras tratavam de assuntos como consciência negra, sexualidade e doenças sexualmente transmissíveis. Promovi visitas à UFMG e Parque Ecológico. Implementei projetos de leitura e escrita que envolveram a escola toda. Os alunos passaram a gostar de ler e escrever e a lista de alunos desistentes foi diminuindo consideravelmente.

 Enquanto eu lutava para melhorar a auto-estima de meus alunos, a direção, a supervisora e alguns professores tentavam destruir com suas críticas e ações autoritárias.

Fiz  denúncias contra a supervisora da escola, pois ela estava agredindo os alunos (física e psicologicamente). Tinha testemunhas e provas e a Secretaria de Educação nem quis ver, aceitaram a versão da diretora que desmentiu tudo e ainda organizou um julgamento contra mim, sem a minha presença; entre outras coisas fui acusada de incentivar uso de bebida alcoólica e ensinar ‘coisas erradas nas aulas’.

Houve ainda reunião no dia 05 de novembro de 2008, às 19 horas, feita na E.E.Afonsino Altivo Diniz com a presença do colegiado da escola, direção, alguns professores, pais e alunos; a reunião seguiu com duras acusações e difamações contra as professoras Fernanda e Adriana,  no entanto as professoras citadas não foram convocadas para tal reunião. Os pais pediram providências urgentes e questionaram a ausência das professoras.   A professora Fernanda não teve amplo direito de defesa, não pôde apresentar suas provas e testemunhas.

Não tive chance de defesa. Me transferiram para uma escola tão distante que são necessárias quatro conduções por dia o que consumiria quase metade do meu salário liquido. Estou deprimida e em tratamento médico. Para completar meus problemas meu pai está doente, e estou na fase final de minha dissertação de mestrado. Com tantos problemas não consigo produzir e temo perder o prazo, que já foi prorrogado, e acabar sendo jubilada.   

As autoridades não se importam com nada, afinal destruir uma pessoa com humilhações constantes não é agressão. Segundo Martha Medeiros:  É fácil deixar uma pessoa emocionalmente em frangalhos. É só mirar no peito e atirar com palavras. Deixar uma pessoa emocionalmente em frangalhos não é passível de condenação. Não é crime, não deixa marcas de sangue no tapete.  Mira-se no peito, atira-se com palavras, e os estilhaços caem para dentro. Por isso, preferimos a agressão verbal, que, apesar de também machucar, ao menos mantém a ordem.”

Por isso, abuso de poder, assédio moral e todos os absurdos que fui obrigada a ouvir não são nada. Quem tem o poder pode tudo, podem pisar na gente como se fôssemos baratas, pois nada acontece.

Me sinto injustiçada, humilhada, perseguida e sem direitos. A secretaria não se envolve nas decisões da superintendente, mas esta está sendo injusta. Por favor, me ouçam, investiguem. Não tenho nada a esconder, nem a mentir. Não temo a justiça, tenho provas da minha inocência e do assédio moral que tenho sofrido.

Já registrei os acontecimentos na Ouvidoria Geral do Estado de Minas Gerais, na SEE- MG pelo site (protocolo nº 2009002377) e no Ministério Público. Enviei ainda à mídia. Preciso de Ajuda, de Justiça. O sindicato entrou com um pedido de anulação desta transferência indevida, mas a justiça é morosa demais e não tenho advogado que se interesse por meu caso, afinal sou uma ‘morta de fome’, não tenho bens e em breve nem meu salário de fome terei. A defensoria pública é muito disputada e a prioridade é para outros tipos de caso.

A secretaria de educação quer abafar o caso e está agindo para isso. Voltamos à ditadura e como diz Marx “a história se repete”. Sou só mais uma. Quero acrescentar ainda, talvez seja até um desabafo, que o estado não valoriza os bons funcionários que tem e isso é um desperdício. Um país não tem progresso sem educação. Quantas vezes ouvi, inclusive da inspetora (em 2006), que meu “mestrado não vale nada para o Estado”, “você está no lugar errado”, como posso me conformar com essa realidade que me abate: luto todos os dias por uma educação de qualidade para crianças carentes e pobres - como fui – e só por isso estudo.

Toda a minha vida estudei em escolas públicas estaduais de Minas, o ensino sempre foi de médio a péssimo, fiz graduação em uma universidade federal e hoje curso um mestrado (stricto sensu) e tenho que me conformar que tudo não valeu nada? Jamais recebi incentivo algum da Secretaria de Educação de Minas Gerais, nem sequer me ausentar para participar dos congressos pude. Quero encerrar registrando que eu jamais desisto e que um dia todos vão - mais que querer - acreditar que vale a pena; estou educando meus alunos para mudarem essa mentalidade e serem a diferença.

estou sendo perseguida pela cúpula que teme perder o poder, mas afirmo que o único poder e posto que me interessam são o amor de meus alunos, seu verdadeiro aprimoramento  e minha carreira de professora-educadora.  

 Por favor, me ajudem.

 Profª Fernanda Rodrigues de Figueiredo

E-mail: nandarf_afro@yahoo.com.br

 
 

É o fim...

CHEGAMOS AO FUNDO DO POÇO: PROFESSOR QUER TRABALHAR ARMADO

Quando li hoje esta notícia, fiquei estupefata. Já assisti a todo tipo de infâmia na escola, mas esta extrapolou todos os limites. Um professor do Espirito Santo entrou com pedido de licença na Polícia Federal para dar suas aulas armado. Isso mesmo: com uma arma de fogo. Penso que só o fato de fazer o pedido deveria ser suficiente para sua exoneração (se isso existisse no Brasil). Mais o quê não fará com os alunos um professor que se predispõe a atirar contra eles? Que exemplo representa para os educandos?

E mais chocante ainda é a imprensa que dá a notícia com um toque de aprovação. Diz que uma professora foi espancada porque "chamou atenção do adolescente". Como foi esse "chamar atenção" não interessa à imprensa informar. É subestimar a inteligência do leitor, é induzir o leitor ao erro, fazendo-o acreditar que uma criança ou um adolescente reagiria com agressividade a uma simples admoestação do professor.

Transcrevo a notícia do jornal Estado de Minas, 18/3, caderno Nacional:

NA SALA E ARMADO

O professor de língua portuguesa Gil Serafim, de Vitória, no Espírito Santo, entrou com um pedido na Polícia Federal para trabalhar armado. O motivo, segundo ele, é o alto nível de violência nas escolas. Serafim, que foi recentemente esfaqueado na mão por um aluno, solicitou o porte de arma e afirma que dentro da sala os alunos perderam o respeito pelo professor e argumenta que o estudante problemático é respaldado por seus direitos e normalmente não é punido por desordens. Este ano, uma professora de Vitória foi espancada pela mãe e a avó de um aluno, depois que ela chamou a atenção do adolescente, que estava atrapalhando os colegas de classe.

O CALVÁRIO DE NOSSAS CRIANÇAS

Certa vez, a escritora Ana Miranda disse que a origem de nossos males está no abandono. Tão simples e tão verdadeiro. E tão cruel. Pensar que apenas um cuidado a mais evitaria tanto sofrimento. E não me refiro aos pais, que também já são vítimas do abandono. Refiro-me à sociedade como um todo. Nas sociedades civilizadas e, por incrível que pareça, nas populações primitivas, há um sentimento coletivo de proteção entre seus membros, principalmente com a criança.

Leiam sobre o terrivel episódio de pedofilia em catanduva:

Menina diz ter sido amarrada e humilhada

ENVIADA ESPECIAL A CATANDUVA

M. é mãe de A., 9 anos, e de mais três filhos, um deles recém-nascido. A mulher franzina está desempregada e sofre de depressão, que, afirma, piorou depois que se revelou o que acontecia na casa do borracheiro (distante menos de 300 metros da sua). Na última quinta-feira, o colo da mulher estava cheio de bolhas. Tinha-se queimado com óleo fervente.
A família vive em casa de um cômodo sem reboco, como todas naquela rua de terra. O marido pedreiro é quem sustenta a todos. Ganha cerca de R$ 500 mensais. "As crianças são assunto só meu", diz M.
A menina A. é uma das que faz relatos mais dramáticos de abusos. Por exemplo, de que foi amarrada e submetida a humilhações variadas pelo vizinho. Em pelo menos uma oportunidade, ele sequestrou A. e uma amiguinha da mesma idade, levando-as a um terreno isolado.
A. tem os dentes estragados, mas não se encaixa no estereótipo do caipira sonolento, cheio de vermes. É viva e cheia de sonhos. Quer mudar-se para São Paulo.
Ela não gosta de falar sobre o que viveu na casa do borracheiro. Fica tímida, sai, volta, puxa outro assunto. Então, chega a "tia", vizinha alcoólatra, copo de aguardente na mão, pedindo um maço de ervas para combater a ressaca. "Leva a menina, leva", ela pede à reportagem. Diz que A. é uma menina marcada. Que nunca mais será nada ali. A. foge correndo. ( FSP - 15/3 - Cotidiano)
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DICAS DE COMO PREVENIR O ABUSO SEXUAL CONTRA A CRIANÇA E O ADOLESCENTE

1. Dizer às crianças que "se alguém tentar tocar-lhes o corpo e fazer coisas que a façam sentir desconfortável, afaste-se da pessoa e conte em seguida o que aconteceu."
2.
Ensinar às crianças que o respeito aos maiores não quer dizer que têm que obedecer cegamente aos adultos e às figuras de autoridade. Por exemplo, dizer que não têm que fazer tudo o que os professores, médicos ou outros cuidadores mandarem fazer, enfatizando a rejeição daquilo que não as façam sentir-se bem.
3.
Ensinar a criança a não aceitar dinheiro ou favores de estranhos.
4.
Advertir as crianças para nunca aceitarem convites de quem não conhecem.
5.
A atenta supervisão da criança é a melhor proteção contra o abuso sexual pois, muito possivelmente, ela não separa as situações de perigo à sua segurança sexual.
6.
Na grande maioria dos casos os agressores são pessoas conhecem bem a criança e a família, podem ser pessoas às quais as crianças foram confiadas.
7.
Embora seja difícil proteger as crianças do abuso sexual de membros da família ou amigos íntimos, a vigilância das muitas situações potencialmente perigosas é uma atitude fundamental.
8.
Estar sempre ciente de onde está a criança e o que está fazendo.
9.
Pedir a outros adultos responsáveis que ajudem a vigiar as crianças quando os pais não puderem cuidar disso intensivamente.
10.
Se não for possível uma supervisão intensiva de adultos, pedir às crianças que fiquem o maior tempo possível junto de outras crianças, explicando as vantagens do companheirismo.
11.
Conhecer os amigos das crianças, especialmente aqueles que são mais velhos que a criança.
12.
Ensinar a criança a zelar de sua própria segurança.
13.
Orientar sempre as crianças sobre opções do que fazer caso percebam más intenções de pessoas pouco conhecidas ou mesmo íntimas.
14.
Orientar sempre as crianças para buscarem ajuda com outro adulto quando se sentirem incomodadas.
15.
Explicar as opções de chamar atenção sem se envergonhar, gritar e correr em situações de perigo.
16.
Orientar as crianças que elas não devem estar sempre de acordo com iniciativas para manter contacto físico estreito e desconfortável, mesmo que sejam por parte de parentes próximos e amigos.Valorizar positivamente as partes íntimas do corpo da criança, de forma que o contacto nessas partes chame sua atenção para o fato de algo incomum e estranho estar acontecendo.
Texto extraido de: Violência contra criança
Atenção: DISQUE 100 PARA DENUNCIAR

Porque hoje é sábado

O PROFETA GLAUBER ROCHA

Neste sábado, Glauber Rocha (1939-1981) faria 70 anos. Escolhi este vídeo para lembrá-lo porque sua fala é um resumo do brasileiro revolucionário, polêmico e irreverente que marcou sua trajetória de homem e artista. No vídeo, ele lembra Vianinha, nosso grande teatrólogo, autor da peça "Rasga, coração", que tive a alegria de assistir há anos, no Rio.

"Nossa cultura é a Macumba e não a ópera. Somos um país sentimental, uma nação sem gravata".

"...escreverei sobre minha terra. Prefiro os escritores brasileiros aos europeus.”

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