IGNORÂNCIA SOBRE O ECA
Sobre a postagem de ontem, o jornal publicou hoje a carta de uma leitora indignada com a pena aplicada aos meninos que brigaram na escola. Diz que o ECA é paternalista mais aquela bobagem de sempre de que promove direitos sem exigir deveres. Ela achou a medida socioeducativa e puxão de orelha (imaginem: da escola, da polícia, do Conselho Tutelar, do Promotor) muito pouco. Ela queria mesmo era PENA DE MORTE, com certeza.
A primeira coisa que se precisava fazer é extirpar a ignorância sobre o ECA. Para se afirmar uma inverdade deste tamanho só pode vir de alguém que nunca leu o Estatuto.
Depois seria necessário encontrar um caminho para se extirpar o ódio à criança e ao adolescente na nossa cultura. A sociedade odeia suas crianças pobres. Certa vez li uma enquete em que se perguntava o que fazer com nossos adolescentes infratores e entre outros lugares para onde sugeriram mandar os meninos, um respondeu curto e grosso: - JOGUE-OS NO MAR!
Vamos à carta da leitora opinando que "puxão de orelhas’ e aplicação de medidas socioeducativas" é NADA.
Lições a aprender nos casos de duas escolas Iasmyn Moreira Aburah - Belo Horizonte
“Os casos recentes ocorridos em uma escola particular (Colégio Loyola) e em uma pública (Estadual José da Silva Couto) vêm mostrar a diferença entre nossos sistemas de ensino na formação do aluno-cidadão. Em ambos os casos, os personagens são adolescentes, portanto, todos sujeitos aos preceitos estabelecidos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). É visível que a posição do Colégio Loyola visa, antes de tudo, à formação do cidadão. Por isso seus alunos foram punidos com base no regimento escolar, e não no ECA, um documento paternalista, onde o jovem tem direito a tudo, mas, ao que parece, não tem deveres.
Nada vai acontecer com os alunos da escola pública. No máximo, um ‘puxão de orelhas’ ou a aplicação de medidas socioeducativas impostas pelo Conselho Tutelar. O que dá no mesmo: impunidade. Continuarão na mesma escola afrontando diretores, professores e colocando em risco a vida dos colegas. Ao que tudo indica, o ECA é mais preconceituoso do que podemos imaginar.”
Escrito por Glória às 19h34
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ESTADO POLICIAL PARA CRIANÇAS E ADOLESCENTES
Vejam como a justiça é rápida quando se trata de punir crianças e adolescentes. O fato aconteceu na quarta-feira e os meninos já estão com condenação de prestar serviços comunitários.
Uma briga com tumulto e “a professora e a diretora da escola, depois de não conseguirem controlar os alunos, pediram a presença da Polícia Militar”. E a polícia ainda pediu reforço.
Haja incompetência para lidar com “menores”.
É claro que são meninos pobres, estudantes que participam do projeto Acelerar para vencer, da Secretaria de Estado da Educação, que dá a alunos repetentes do ensino fundamental a chance de concluir duas séries em apenas um ano.
Leiam a notícia no jornal Estado de Minas – Sexta-feira, 11 de julho de 2008
Serviço comunitário por briga na escola
Álvaro Fraga
Os nove adolescentes, alunos da Escola Estadual José da Silva Couto, no Bairro Jardim Laguna, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, que se envolveram num tumulto na escola na quarta-feira vão prestar serviços à comunidade. A informação é do promotor André Sperling Prado, da Promotoria da Infância e da Juventude de Contagem, que está cuidando do caso.
Ele disse que conversou com os adolescentes, com idade entre 14 e 16 anos, e com os pais dos meninos. “Eu os adverti e expliquei que eles destruíram patrimônio público e terão de responder por isso. Vou encaminhar ao juiz da Vara da Infância e da Juventude a representação contra os menores. A minha proposta é de que a prestação de serviços seja na escola onde ocorreu o problema, para que sirva de exemplo para todos os alunos”, informou o promotor.
Prado esclareceu ainda que os adolescentes nunca tiveram qualquer passagem pela Vara da Infância e da Juventude. Disse também que a prestação de serviços à comunidade é uma medida sócioeducativa prevista no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e o seu cumprimento é obrigatório. “Informei a cada um deles e aos pais que todos terão de prestar os serviços. Se houver desobediência, podem ser aplicadas medidas mais severas, chegando até à internação, se isso for necessário”, afirmou.
O tumulto na escola ocorreu quando cerca de 25 alunos assistiam ao filme Indiana Jones e os caçadores da arca perdida. A briga começou logo depois de um estudante puxar a cadeira na qual outro estava sentado. A confusão se generalizou e a professora e a diretora da escola, depois de não conseguirem controlar os alunos, pediram a presença da Polícia Militar.
A chegada da PM não acalmou os estudantes e foi solicitado reforço. Quatro equipes de militares estiveram na escola. No fim, depois de muita confusão, nove estudantes foram apreendidos e conduzidos ao Juizado da Infância e da Juventude, onde foram advertidos pelo promotor. Além deles, 15 alunos, que se envolveram na briga, tiveram de prestar esclarecimentos no Conselho Tutelar.
Escrito por Glória às 01h23
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Corpos infantis vendidos a R$ 10
NO PAÍS DO ECA
Abaetetuba (PA) — Todos os dias, a Feira da Farinha arrasta uma multidão ao porto da cidade. Tem gente que sai de municípios vizinhos para comprar bacalhau, sardinha, toucinho, temperos, raízes medicinais e produtos industrializados. Há também quem vá comprar o corpo de crianças, vendido a R$ 10. Dois reais mais barato do que um frango assado.
Mal começa a escurecer e as meninas iniciam a peregrinação pelo cais. Dividem o espaço com os urubus, ávidos por restos de comida. Ninguém as perturba. Às vezes, uma ou outra oferece seus serviços na feira ainda pela manhã. Quartinhos nas sobrelojas, por R$ 15, são usados para os programas. Mas, às vezes, os próprios barcos servem de cenário.
“Criança pequena fazendo programa? Tem demais. Um tenente da Polícia Militar é freguês de todas, mas eu sou a preferida dele. O tenente também dá dinheiro pra gente comprar drogas”. Quem conta é a prostituta Shirley*, 24 anos, nas ruas desde os 6. Entre suas concorrentes há uma família inteira: uma menina de 13, uma adolescente de 16 e dois jovens de 18 e 21, ambos travestis. A mãe, Maria da Conceição, 48, dependente química, tenta justificar: “Estou desempregada, passando dificuldades. Então a gente vai tentando se virar”.
SÍMBOLO DA VIOLAÇÃO
Cidade paraense às margens do Rio Maratauíra, a 80 quilômetros da capital, Abaetetuba continuaria sendo apenas um pontinho cravado no mapa do Pará se, em dezembro, o caso de uma adolescente de 15 anos, trancafiada na cadeia pública com 20 homens, não tivesse corrido o mundo e a tornado símbolo da violação dos direitos da infância. Histórias como a dela e a da família que se prostitui causam pouco impacto entre os moradores da cidade, acostumada historicamente a maltratar suas crianças. “Eu mesma já fiquei presa naquela cadeia. Dormia no corredor”, conta Shirley, com uma calma perturbadora. E, com a concordância de muitos habitantes de Abaetetuba, arremata: “Ela ficou presa com os homens porque quis. Aquela menina não presta”.
“Aquela menina” era vista como estorvo pelos moradores. Afinal de contas, roubava, usava drogas, dava trabalho aos professores. “Ninguém gostaria de tê-la como vizinha”, atesta o bispo da cidade, dom Flávio Giovenali, ameaçado de morte por denunciar as violações aos direitos humanos na região. A adolescente, diz ele, é reflexo das condições socioeconômicas. E o que aconteceu com ela, o retrato do abandono pelo poder público. “É um problema do próprio sistema carcerário. Não tem onde colocar os menores infratores. O que fazer com eles?”, questiona. Depois que a prisão da garota veio à tona, a delegacia acabou demolida, sem data para a construção de uma nova.
Há mais de uma década na cidade paraense, o bispo denuncia a falência do sistema educacional, que, para ele, é uma “fábrica de analfabetos, de gangues e de homicídios”. Até a quarta série do ensino fundamental, a educação é municipalizada e não faltam vagas. Porém, o índice de evasão é alto: 35%. “As crianças repetem, repetem, acham que são burras e acabam desistindo”, diz dom Flávio, que usa dados oficiais do Ministério da Educação. Da quinta à oitava, o problema se agrava. Por ano, mil crianças que deveriam passar da quarta para a quinta série ficam sem estudar por falta de vagas. “No melhor dos casos, se 75% delas ficarem quietinhas em casa, isso já significa 250 adolescentes nas ruas, sem fazer nada. E isso em uma estatística otimista”, pondera.
TRÁFICO INTERNACIONAL
Se as ruas das cidades são sinônimo de risco para crianças e adolescentes, em Abaetetuba o perigo é redobrado. A partir de meados da década de 1990, o município passou a integrar a rota internacional do tráfico de drogas. Os entorpecentes vêm de Medellin, na Colômbia, e têm como destino a Guiana, de onde partem para a Europa. O posicionamento geográfico da cidade — rodeada por ilhas — dificulta a atuação da polícia. “Além da exportação, há consumo interno. As bocas-de-fumo funcionam com a conivência de policiais. Alguns vão uniformizados receber a propina”, denuncia Giovenali. “O tráfico de drogas não sofre nenhum arranhão.” (PO)
Fonte: Jornal Estado de Minas - Caderno Nacional - 11 de julho de 2008
Escrito por Glória às 23h55
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"É para ensinar que se exige, antes de tudo, amor"
Um amor que seja o fundamento de uma educação baseada numa consciência social, uma educação repensada, “um novo modelo social de educação”, diz WARAT.
“...os professores ignoram os alunos, comportam-se como se eles não existissem, melhor dizendo, não tomam conhecimento da sua existência. Eles vão à sala de aula para exibir-se, não se preocupam pelos alunos, não lhes interessa que o aluno aprenda. O professor é o dono do saber, o vínculo pedagógico não existe”.
O Professor há de ser, toda vida, o melhor dos estudantes. É dever moral ter em dia o perfeito conhecimento de sua matéria. Dever moral, e não somente administrativo e disciplinar, pois a ignorância desonra o magistério. Ensinar bem e ensinar mesmo. Não tem autoridade moral para qualquer exigência aos alunos o professor que não cumpre suas mínimas obrigações.
Antes de examinar o aluno, examinar-se. Antes de criticar, criticar-se. Certos professores sabem corrigir os erros dos outros, mas não os próprios.
Quem pensa com clareza, expõe com clareza.
A aula deve agradar. E, para agradar, há de ser viva, não violenta, mas sedutora, vibrante e alegre. O ensino é um trabalho de fecundação, para o qual é preciso abrir as portas da inteligência. Se a aula devesse ser apenas a matéria – ah! A matéria! – bastaria um disco para o monocórdio.
Citado pelo Professor ROBERTO LYRA, entendia SYLVIO ROMERO que “programa é coisa inteiramente secundária; não há bons programas para maus professores, nem maus programas para bons professores”.
TOBIAS BARRETO
“Os nossos professores são em geral uns Epimênides, que adormecem sobre o travesseiro de meia dúzia de alfarrábios, e, quando despertam, depois de dez, vinte anos de sono, e com a crença inabalável de que as coisas se acham no mesmíssimo pé, em que eles as deixaram”.
“Importa reconhecer e dizê-lo alto e bom som: a mocidade não é culpada dessa indiferença e quase tédio, que se lhe nota em relação aos estudos jurídicos. O mal provém de outra fonte; e eu não sinto a mínima dificuldade em indicá-la. O mal provém do corpo docente...”
Citados por JOÃO C. GALVÃO JR no texto O Professor CLIQUE AQUI
Escrito por Glória às 23h38
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AUTORIDADES ASSASSINAS
João Roberto Amorim Soares, de 3 anos, baleado pela polícia na Tijuca, zona norte do Rio, no domingo à noite
*Tão assassinos quanto os policiais que executaram o menino João Roberto (leia notícia) são o secretário de segurança do Rio que comanda a política de extermínio no Rio de Janeiro e seu capanga, o governador Sérgio Cabral.
*Em qualquer outro país no mundo, o secretário perderia o cargo por pressão da sociedade.
*Em nosso país prevalece a cultura de violência contra criança e mais ainda a cultura de que "polícia pode matar".
* O secretário José Mariano Beltrame é tão frio e a favor da violência policial que declarou à imprensa que a execução foi simplesmente uma operação "desastrosa". Nada mais. E lamentou que o fato tivesse acontecido na Tijuca, essas coisas só podem acontecer nos morros.
Escrito por Glória às 18h45
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A sociedade brasileira precisa reagir à barbárie da polícia
"São assassinos, isso não é polícia", afirma pai de menino assassinado
Polícia metralha carro com família dentro. A mãe implora por piedade para salvar os filhos, mas 15 tiros atingem o carro...
Nossas cidades viraram um filme de faroeste. É claro que a polícia adora sair atirando. Primeiro que já é da sua formação, segundo que agrada à sociedade que lê jornais e tem acesso à internet (porque julgam que eles só vão matar pobres e negros) e terceiro que não são responsabilizados, nem julgados. Se, por um acaso do destino, forem levados aos tribunais viciados do país é só declarar que foi uma "troca de tiros com marginais". Pronto: estão absolvidos. No máximo são afastados da corporação para continuar cometendo os crimes que aprenderam com orientação do estado.
Leia:
- trecho de Brecht
- protesto e alerta do blog
E mais
O cúmulo do cinismo e da discriminação: secretário de segurança do Rio, José Mariano Beltrane, diz em entrevista que esse tipo de enfrentamento só pode ser nos morros... e que a ação dos policiais foi apenas "desastrosa". Assistam à entrevista. clique aqui
Escrito por Glória às 23h18
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NOSSA VERGONHA NOS JORNAIS
18 anos do ECA
E a imprensa mostra a sua miopia ao publicar coisas como "Lei chega à maioridade e é considerada uma revolução no sistema de garantias individuais". Que vergonha! A imprensa não tem a ombridade de publicar que nunca se agrediu e violentou tanto a vida de crianças e adolescentes neste país. Repito o que sempre digo: o ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente - teve efeito viés e exarcebou mais o ódio que as classes dominantes nutrem pelos filhos das classes populares. Interpretando a lei de acordo com os interesses da sociedade e da mídia, nunca se legalizou tanto a prisão de "menores", dourando a pílula com o bonito nome de internação como medida sócio-educativa.
Um luxo só...
954 apartamentos com valores acima de R$ 1 milhão estão sendo lançados ou construídos em Belo Horizonte. Em alguns casos, dependendo das exigências do cliente, pode chegar a R$ 14 milhões na Zona Sul da cidade. A proliferação desses clientes, segundo construtoras e imobiliárias, é explicada pelo quadro econômico atual: ganhos espetaculares dos setores de mineração e siderurgia, a especulação na bolsa de valores, o recorde de vendas de veículos e o crescimento da economia levaram os empresários a engordar os bolsos, trocar de apartamento ou aplicar no imóvel como investimento.
A Favorita de AFFONSO ROMANO DE SANT'ANNA
Fico louca de indignação ao ver colunistas de jornais de grande circulação usarem suas colunas para escreverem abobrinhas. Num país campeão de desigualdade social, horrores um atrás do outro, e eles escrevendo "coisas bonitinhas" para entreter a burguesia. Dói mais quando vem de escritores como Affonso Romano que, na sua coluna semanal deste domingo, dedicou sua crônica à novela "A favorita" da Globo. tecendo altos elogios. É o apocalipse chegando.
Energia: imposto para pobre
Prestem atenção nos impostos nas contas de luz. Enquanto a oposição faz o maior escarcéu contra impostos que só atingem os mais abastados, as contas de energia vêm com uma batelada deles. E não entendo quando as concessionárias alegam que não são responsáveis pelo alto custo da energia, pois são os impostos que elas têm de repassar ao governo. As outras empresas, não são elas que pagam os impostos?
E para descontrair...
A Lei Seca pode ter tirado o bom humor de muita gente, mas uma cena inusitada arrancou gargalhadas e atraiu curiosos, na noite de sexta-feira, ao redor de um Palio branco, estacionado em uma área de rotativo na Avenida Afonso Pena, 4162, no Bairro Mangabeiras, Região Centro-Sul de Belo Horizonte. O dono do veículo pregou no pára-brisa o seguinte recado: “Seu guarda, lei é lei. Tomei umas e fui de táxi. Favor não rebocar. Grato”. De acordo com Marcelo Maciel, dono do bar Pastel Mania, onde o cliente esteve antes de “abandonar” o carro, ele não exagerou na bebida. “Ele bebeu, mas estava até normal. Deve ter sido brincadeira dele.” O carro foi retirado na manhã de ontem pelo dono.
Escrito por Glória às 19h44
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