É impressionante como a justiça protege certos criminosos. Leiam a notícia sobre aquele promotor que matou um jovem que mexeu com sua namorada.
Justiça proíbe Record de exibir imagem de promotor
O promotor Thales Schoedl, que responde a processo por matar um jovem a tiros e balear outro em um luau em Bertioga (SP), em 2004, conseguiu liminar para proibir a Rede Record de exibir imagens de sua "vida íntima e privada". Segundo a decisão judicial, a emissora tem de pagar R$ 10 mil a cada dia em que veicular imagens de Schoedl feitas com câmera escondida. Nas cenas, ele aparece em um restaurante e em uma academia de ginástica. Em outra liminar, a Justiça proibiu a emissora de usar imagens de Mariana Ozores Bartoletti, namorada do promotor na época.
E o que faz a justiça diante desta foto de dois menores presos esses dias, um deles com 12 anos de idade? Nada. Imaginem se fosse o promotor ou outro "acusado da elite". Vejam a foto:
Denúncia do Greenpeace
E ainda há quem se deixe enganar pela falácia de que são os estrangeiros que estão de olho na Amazônia e nas terras indígenas.
A "coitadite" ataca de novo
Como sempre, na educação, o salário justifica a incompetência. No site da Rosely Sayão, post "A educação pela brincadeira", ela "esclarece" o porquê na nossa educação infantil ser tão ruim:
"Em primeiro lugar, construímos um problema sério para a educação infantil: os professores não são valorizados e são colocados em patamar inferior ao dos demais docentes. Os pais precisam saber que os professores que lecionam no ensino médio ganham mais do que os que ensinam no segundo ciclo do fundamental, que, por sua vez, recebem salários maiores do que os que trabalham no primeiro ciclo. Os que se dedicam à educação infantil constituem a classe D nas camadas sociais criadas na escola, independentemente da formação, da experiência e da excelência na realização do trabalho. O salário é apenas um sinal do que se espera desses professores."
Mais uma vez (a milionésima???) os formadores de opinião explicam os desmandos, os aleijões da educação no Brasil pelo salário e desvalorização do professor. É a epidemia "coitadite". Enquanto esse álibi persistir, nossa educação não sairá da lama em que se encontra, jogando a cada ano milhões de jovens na exclusão. É a teoria daquela professora na comunidade do Orkut, pela qual os alunos da escola pública devem fracassar bastante para que seus filhos, seus sobrinhos não tenham mais concorrentes nas oportunidades do futuro.
Essa gente é tão fora da realidade e tão contaminada pelo vírus da epidemia "coitadite" (doença que transforma todos os professores em "coitadinhos") que não percebem a falta de coerência no que falam. Se a Rosely Sayão alega que o fracasso da Educaçao Infantil é devido ao baixo salário das professores desse ciclo e que os demais ciclos são melhor remunerados, era, então, para o Ensino Fundamental e Médio estarem com excelente qualidade, não acham?
Já diz o ditado: o pior cego é o que não quer ver. Ou não interessa ver, no caso da educação. Está tão cômodo assim, não é? Os professores são coitados e os alunos são "moleques" insubordinados incapazes de aprender... O fracasso, ora, que importa o fracasso, se só atinge os pobres, os miseráveis, que todos querem mesmo é ver longe dos melhores empregos que pertencem às classes médias e altas.
CENTENÁRIO DE MIGUEL TORGA
"Ser escritor é um destino e não uma atividade profissional"
Miguel Torga no consultório, em Coimbra, e a tabuleta indicativa de médico
Provavelmente o maior escritor português do século XX, proposto para o Prêmio Nobel em 1960, Adolfo Correia da Rocha - que viria a adotar o pseudônimo de Miguel Torga -, nasceu em 12 de Agosto de 1907, em S. Martinho da Anta, concelho de Sabrosa, Trás-os-Montes, há precisamente 100 anos.
O que poucos sabem é que o grande escritor português viveu em Leopoldina quando emigrou para o Brasil em 1925 e que estudou no "liceu de Leopoldina', hoje Escola Prof. Botelho Reis (o ginásio).
Miguel Torga nutria desconfiança e impaciência com os literatos ou intelectuais. Adoro esta sua declaração:
"Junto dos analfabetos encontro ainda o riso, a indignação, o espanto..."
E eu não conhecia um poema de Miguel Torga pela morte de Che Guevara. No pesquisar sobre seu centenário, descobri e repasso::
GUEVARA
Miguel Torga
Não choro, que não quero Manchar de pranto Um sudário de força combativa. Reteso a dor, e canto A tua morte viva.
A tua morte morta Pelo próprio terror em que ficaram À sua frente Aqueles que te mataram Sem poderem matar o combatente.
O combatente eterno que ficaste, Ressuscitado Na voluntária crucificação. Herói a conquistar o inconquistado, Já sem armas na mão.
Quem te abateu, perdeu a guerra santa Da liberdade. Fez brilhar na manhã do mundo inteiro Um sol de redentora claridade: O teu rosto de Cristo guerrilheiro.