
Alunos fazem Educação Física no sol quente
Alunos da E. Municipal Osmar Lacerda França são vítimas de mais um descaso da escola. Fazem exercícios debaixo do sol quente o que põe em risco a saúde das crianças. E pior: queixam-se de que, quando retornam à sala de aula, são expostos ao constrangimento e vexame de ouvir professores fazerem comentários de que "estão cheirando mal".
Primeiramente, a escola tem a obrigação de oferecer aos alunos um lugar apropriado para a prática de Educação Física. Se não há sombra, providenciem árvores ou cobertura. Como sempre, o descaso dos governantes com o espaço físico da escola. Em segundo, jamais humilhar a criança acusando-a de cheirar mal, uma vez que, se isso acontece, a culpa é da própria escola que não se empenha em oferecer espaço apropriado para os alunos.
A cobrança do uniforme continua
È um absurdo, mas continuamos ouvindo queixas de mães e alunos sobre a exigência do uniforme nas escolas. Já foi informado ás diretoras, secretárias, professoras de que exigir uniforme é "contra a lei". Será que elas não conhecem a lei ou, então, se acham acima da lei? E mais do que isso, demonstram não ter o mínimo compromisso com a permanência dos alunos na escola, uma vez que, ao atingir o limite da suportabilidade de tanta cobrança e humilhação, eles acabam abandonando os estudos.
O "Movimento Contra Evasão Escolar de Leopoldina" prepara um documento nomeando as escolas que estão exigindo uniforme para encaminhar ao Ministério Público, à Secretaria de Educação Estadual, ao MEC e à imprensa.
Vereador e diretora são presos por suspeita de desvio de merenda em SP
É inacreditável que até merenda das crianças seja desviada. Se uma diretora é capaz até de desviar merenda, mais o que não fará de irregular dentro da escola?
Um vereador e a diretora de uma escola municipal de Bananal (348 km a leste de São Paulo) foram presos sob suspeita de desvio de merenda escolar. A mercadoria era trocada por comidas e bebidas para festas.
Eles foram presos na segunda-feira (12), após a Justiça acatar o pedido de prisão preventiva feita pelo Ministério Público.
A promotoria abriu inquérito civil para investigar o caso no ano passado, após uma denúncia anônima --uma carta seu autoria circulou pela cidade com as informações sobre o crime.
De acordo com o promotor Eduardo Olavo Neves Canto Neto, a merenda da escola municipal Professor José Luiz Ferreira Germana era desviada pela diretora da unidade, Nathália Nicolau Moreira Franco.
Com os produtos, de acordo com a investigação, a diretora trocava por outras mercadorias e bebidas no supermercado do vereador Luiz Antonio Moura de Souza.
"A merenda chegava uma vez por semana. Ela pegava os produtos que queria. Ninguém questionava, ela é a diretora. Em uma das vezes ela levou toda a mercadoria, as crianças ficaram sem merenda. Muitas crianças vão para a escola só para comer", afirmou o promotor.
O vereador --o mais votado da cidade, segundo o promotor-- e a diretora foram indiciados por peculato (crime praticado por servidor público que se apropria de dinheiro ou bem em benefício próprio ou de outra pessoa). Canto Neto pediu a prisão de ambos após uma testemunha ser procurada pela diretora.
De acordo com o promotor, a Secretaria de Educação de Bananal também abriu procedimento administrativo para apurar a conduta da diretora. Os advogados da diretora e do vereador não foram localizados pela Folha Online.
Escola: essa "veneranda senhora", pudica e conservadora, que ainda se horroriza com um menino de boné
A professora Rosa Maria Maciel escreveu o livro "O meu guri: o papel da exclusão na gênese da violência", no qual ela descreve o que denominou de "homicídio doloso" contra as diferentes culturas que se pratica dentro da escola, provocando exclusão de forma violenta.
Rosa Maria foi professora e diretora de escola pública. Conta na apresentação do livro que a exclusão praticada na escola foi algo tão impactante em sua sensibilidade que obrigou-se a assumir o compromisso ético/político/pedagógico de escrever sobre o tema violência associado à exclusão escolar.
Ela descreve o cotidiano das escolas públicas:
" Havia no ar uma visão maniqueísta de ser humano. Alguns meninos e meninas eram vistos como pertencentes ao reino do bem e outros fadados ao fogo eterno e sem direito à apelação da sentença. Nem mesmo um purgatoriozinho lhes era concedido. A simples presença desses no pátio já era motivo de apreensão, ou de desrespeito às "autoridades" escolares ou mesmo um mau exemplo para os outros. E aí eu me questionava: por que a violência ocorria com mais incidência em algumas escolas, em alguns períodos, em alguns momentos, com algumas pessoas? Coincidência? Essa violência sinalizava o quê? O que era a violência?"
Partiu para o seu trabalho de pesquisa no curso de Pegagogia na USP e foi saber onde estavam os meninos e meninas "excluídos da escola" e o que fizeram das suas vidas a partir do momento da exclusão. Conta: "Fui ouvir as vozes historicamente silenciadas, as que são tornadas invisíveis pela sociedade capitalista, os meninos e meninas excluídas da escola".
E ela encontrou os meninos e meninas na prisão, na FEBEM, no tráfico de drogas, nas quadrilhas, nas estatísticas das chacinas. Entrevistou-os, anotou tudo que falaram de suas vidas e da escola.
E descreve o circo dos horrores que tão bem conhecemos: não podia entrar porque estava de chinelo, tinha de comprar caderno, carteirinha, camiseta do uniforme (a camiseta era dez reais), se estivesse com outra bermuda não entrava. A professora pegava pela orelha e punha atrás da porta. Uma vez, rasgou a orelha e saiu sangue (e mostrou o corte na orelha). "Tinha um professor que batia em todo mundo, um dia ele me veio dar uns cascudos, peguei um cabo de vassoura e bati nele, aí a polícia me levou e fui expulso no mesmo dia, ninguém quis me ouvir."
Mais um livro escrito por uma testemunha-professora, que oferece às autoridades, à sociedade, aos políticos, aos governantes, as verdadeiras causas do fracasso escolar, que fala da exclusão, da crueldade, do preconceito, do autoritarismo insano, exercido sobre meninos e meninas das classes populares nas escolas públicas.
Por que será que não querem ouvir? Essa resposta daria uma outra pesquisa. Quem se aventuraria a fazer?
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Livro: Maciel, Rosa Maria. "O meu guri: o papel da exclusão na gênese da violência", São Paulo, LCTE Editora, 2005.
Livro imperdível
Escute, Zé-Ninguém!
Wilhelm Reich
Você teria derrubado os tiranos há muito tempo se no seu íntimo estivesse vivo e em perfeita saúde. No passado, seus opressores provinham das classes mais altas da sociedade, mas hoje elas provêm da sua própria camada.
Protesto bobo e hipócrita
A mídia noticiou ruidosamente os protestos contra a visita do presidente americano. Todos os participantes dos protestos muito sorridentes, buliçosos, orgulhosos da sua "alfabetização política". Mas são, na verdade, os verdadeiros analfabetos políticos de Brecht. Eles não ouvem, não falam, nem participam dos acontecimentos políticos do seu país. Eles não sabem que o custo de vida, o preço do feijão, do peixe, da farinha, do aluguel, do sapato e do remédio dependem das decisões políticas do seu país. Eles não sabem que os "bandidos" e a violência são frutos da sua ignorância política. O analfabeto político só protesta contra tragédias internacionais, em especial, as norte americanas.
O site Ciranda noticiou que 20 mil mulheres ocuparam a avenida Paulista para protestar contra a visita do Bush. A notícia saiu com o título "As mulheres não se calam"...
Eu pergunto: Que mulheres são essas que não se calam? Não se calam contra quê?
São as mesmas mulheres que se calam diante da infame injustiça do nosso país?
que se calam contra a morte de nossos jovens vítimas da violência?
que se calam diante do descaso com o povo nos serviços públicos?
que se calam diante da exclusão contra nossas crianças na escola pública?
que se calam diante de um sistema educacional que vomita a metade das crianças antes do término do Ensino Fundamental?
que se calam diante da corrupção e da histórica espoliação do país pelas elites indiferentes à miséria do povo?
que se calam diante da calamidade dos nossos centros de internação para menores, as famigeradas febens?
que se calam diante de nossos presídios medievais que fazem de Guantámano um hotel 5 estrelas?
que se calam diante da liberdade dos assassinos de mulheres?
que se calaram quando Pimenta Neves saiu livre do tribunal de júri, ano passado?
que se calam diante da polícia que sobe os morros matando gente como se mata formiga?
que se calam diante de uma imprensa conivente com a injustiça e a hipocrisia da classe dominante?
que se calam diante dos canais de TV que jogam lixo dentro dos lares brasileiros, elegendo a baixaria como cultura do povo?
que se calam diante da destruição da natureza por barragens para a constução de mais usinas hidroelétricas que vão enriquecer as concessionárias e seus acionistas estrangeiros?
que se calam diante dos salários, mordomias e benesses do Poder Judiciário que, além de perdulário, não promove justiça nenhuma, penalizando os pobres e protegendo os ricos e a burguesia?
que se calam diante do atual movimento no Congresso Nacional para reduzir a maioridade penal e endurecimento das leis penais que só vão servir para prender mais pobres neste país?
Enfim, as mulheres que protestam contra o presidente americano são essas mesmas mulheres que se calam diante da injustiça, da tirania, da infâmia dentro do nosso país?
Eu protesto, no bloco do "Eu sozinha", contra a hipocrisia dessas mulheres e demais grupos que só protestam contra o que se encontra longe, bem longe, de forma a voltarem para casa após o protesto e continuarem suas vidinhas descompromissadas com as mazelas do seu próprio país.
Charge perfeita para os protestos contra o Bush