CFLCL: três aumentos no ano???

Analise suas contas de energia e ponha o dedo na ferida. Veja que até junho o Reais por quilowatt-hora era 0,358, em julho passou para 0,389, e em setembro já era 0,409.
 
Assim:
RESIDENCIAL (Reais por quilowatt-hora)
 
JUNHO -         CONSUMO X O,358
JULHO -         CONSUMO X  0,389
SETEMBRO -   CONSUMO X  0,409
COMO FICAMOS?
Constituição Federal veda o aumento arbitrário do lucro, que é a motivação e o reflexo do aumento injustificado no preço das tarifas, por disposição expressa inserida no art. 173, § 4°, in verbis:
"A lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros."
 
Veja exemplo de Roberto Requião no Paraná
 
Programa Luz Fraterna: energia de graça para os mais pobres
 
O Paraná tem a menor tarifa de energia elétrica do país, praticada por empresas do porte da Copel. Energia barata e abundante é o diferencial de grande importância para se atrair novos investimentos e estimular a ampliação de investimentos já existentes. Em parceria com essa Copel de novo saudável, o governo do Paraná lançou o programa Luz Fraterna, que hoje fornece energia elétrica de graça para perto de um milhão de paranaenses de famílias mais pobres.
O Programa Luz Fraterna universaliza o acesso à energia elétrica. Uma conquista da civilização que também não pode ser sonegada aos mais pobres. (
Fonte: Assembléia Legislativa do Paraná)
 
Fica uma pergunta:
E em MINAS GERAIS, o governador Aécio Neves não fará nada para defender o povo que o consagrou nas urnas? Vamos continuar pagando a segunda energia mais cara do país?


 
Publicado no site Agência Brasil
 
Companhia Força e Luz Cataguazes-Leopoldina é a segunda mais cara do Brasil

O Brasil tem uma das tarifas mais altas do mundo. De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de janeiro de 1995 a dezembro de 2005, a inflação acumulada medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (o índice oficial de inflação, usado pelo governo federal) ficou em 149,43%. A energia elétrica aumentou quase três vezes mais, acumulando alta de 420,70% no período.
 
Veja, abaixo, quais são as cinco tarifas mais caras do país:
                   
EMPRESA     ESTADO
ENERSUL      MS
CFLCL          MG
CEMIG-D        MG
CELTINS        TO
AMPLA          RJ
 
As cinco tarifas mais baratas:
                   
EMPRESA      ESTADO
JARI                PA
CER                RR
Copel-Dis        PR
Eletrocar         RS
CFLO              PR
 
Fonte: Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel)
 
COMENTÁRIO DO BLOG
O povo paga os impostos e encargos embutidos nas contas, as empresas recebem fundos do BNDS, por que o preço da energia só vai subindo? O lucro não tem limite? Quem teria de pagar os impostos não é a companhia como acontece com todas as empresas?
Isso é um absurdo! Não temos um administrador (governador, prefeito), uma autoridade, um político para defender o povo das contas exorbitantes de energia.
Os pobres não têm dinheiro para pagar conta de energia, porque os valores são totalmente fora da realidade e são obrigados a pagar valores que não lhes competem. No entanto, há uma decisão judicial que garante a tarifa básica para todas as famílias que consomem até 200 quilowatts-hora por mês. Isso significa que a conta de luz dessas pessoas pode vir com desconto de até 65% no preço final. No Paraná, por exemplo, uma decisão judicial determina que as famílias que consomem até 100 quilowatt-hora por mês não precisam pagar pela energia.
Fico indignada de ver tantas famílias, tantas crianças, tantos idosos sem energia na periferia ou, então, os que deixam de comer para pagar a conta de luz.
Até quando as companhias de energia vão deitar e rolar em cima de uma população sem defesa?

Secretário é denunciado por desacato

 
Durante a confusão dos ataques do PCC em São Paulo, eu ficava pasma de ver as declarações e atitudes do secretário de Segurança Saulo de Castro na imprensa. Pensava comigo como era possível colocar pessoas assim em cargos públicos. O secretário não tinha o mínimo que se exige de qualquer autoridade: educação. E não é que, hoje, deparo com esta notícia no jornal de que ele foi denunciado justamente pela "falta de educação" que, na linguagem jurídica chamou-se desacato continuado. Inclusive, foi uma das negativas que eu imputava ao Alckmin: um governador escolher um secretário tão medíocre, truculento e sem educação. Penso que, pelos secretários escolhidos, se conhece a qualidade dos administradores.
 
Vejam a notícia na Folha de São Paulo:
 
Cinco meses depois de, em uma reunião na Assembléia Legislativa, o secretário estadual da Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu Filho, foi denunciado ontem por crime de desacato continuado pelo procurador-geral de Justiça do Estado de São Paulo, Rodrigo César Rebello Pinho.
 
Estas são as atitudes do secretário:
- questionar a masculinidade de deputados,
- colocar em dúvida os atributos intelectuais de outro,
- lançar dúvidas sobre a honestidade de mais um,
- de batucar e de dançar enquanto era ouvido,
- além de erguer o dedo médio ("gesto universalmente conhecido por sua índole obscena, desabusada e chula"),
Se a denúncia for aceita pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, Saulo se transformará em réu de uma ação que pode lhe custar de seis meses a dois anos de detenção ou multa, acrescidos de um sexto a dois terços, porque o crime foi cometido em caráter continuado.
Uma das atitudes citadas na denúncia: ao deputado petista Ítalo Cardoso, que o inquiriu sobre métodos de investigação da polícia, o secretário respondeu: "Não dá para comentar, explicar para criminoso como a polícia atua". Como o deputado insistiu, Saulo respondeu: "Pare com esse tom de machão, você não é assim, rapaz".


 
Criança agredida em creche
   
Avó vai buscar criança na creche comunitária em São Gonçalo, no Rio, e encontra a menina com o rosto ensanguentado e coberto de ferimentos. As funcionárias disseram que um menino, de um ano e cinco meses, é que agredira a menina. A avó não acha possível que uma criança tão pequena seja capaz de causar tamanhos ferimentos em outra criança. Mesmo que fosse, e a presença das funcionárias? Essas crianças estavam sozinhas sem nenhuma vigilância? Só isso explica a oportunidade para que houvesse tamanho estrago no rosto da menina.
Esta notícia deveria sair nas primeiras páginas dos jornais
Hoje a Folha de São Paulo trouxe estampada, na primeira página, uma enorme foto de uma criança morta na Palestina. No entanto, a notícia sobre a agressão a esta criança brasileira só saiu no jornal EXTRA e Globo Online, como notícia de nenhuma importância. Nossa grande imprensa só gosta de tragédias internacionais ou com figuras proeminentes.
Nossas crianças sofrem um verdadeiro massacre nas instituições públicas (creches e escolas) e ninguém se importa. A imprensa, a sociedade, as autoridades não se importam. Quando essas crianças, em estado de absoluto abandono, chegam à adolescência e cometem o primeiro delito, aí, sim, a imprensa, a sociedade, as autoridades, os políticos ficam indignados e traçam planos mirabolantes para eliminá-los da convivência com uma sociedade tão cristã e pacífica como a nossa. Haja paciência para tanta hipocrisia!
 
Notícia completa LEIA AQUI
A expulsão dos diferentes
Questões ideológicas colocam alunos pobres para fora da escola
 "Assim como na Segunda Guerra, para os nazistas, era natural e plenamente concebível enviar judeus para as câmaras de gás, ainda hoje, é tomado como natural e justificável o abandono da escola por jovens que não pertençam às classes dominantes. Trata-se igualmente do "cumprimento de destinos", que por vezes justifica o descumprimento tácito de leis e a negação de direitos aos que fogem à norma vigente."
(Cláudia Alaminos, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo)
 
A prof. Cláudia Alaminos afirma em seu artigo que a evasão escolar não é causada por questões econômicas, como a mídia tem alardeado, mas sim por "concepções ideológicas que minimizam a importância e a necessidade de escola para quem possui diferenças em relação à normalidade e à expectativa vigentes".
 A professora faz sua análise:
 
É óbvio que num país de desigualdades como o Brasil, no qual muitas famílias vivem em condições de miséria, há grande probabilidade de um jovem ver-se obrigado a buscar meios de subsistência em detrimento da continuidade de sua vida escolar. Esta é uma situação incontestável mas será que a situação é simplificável a este nível? Há uma relação biunívoca entre necessidades econômicas e evasão escolar sem que outros fatores sejam postos em causa? Ao lidarmos com a inclusão escolar de pessoas com algum tipo de deficiência também nos deparamos com a retirada dessas pessoas da escola, especialmente ao saírem da infância, a partir de justificativas que passam longe das causas econômicas. Observamos que os envolvidos no processo, educadores e família, muitas vezes não enxergam a necessidade de permanência desses jovens na escola, já que eles não aprendem como os demais. Constatamos, assim, que características pessoais têm sido impedimento para que o direito à educação seja desfrutado.
 
Acrescenta:
 
Ao ampliar o nosso olhar sobre a existência de jovens fora da escola, sem nos fixarmos nos deficientes, observamos, para nossa surpresa, a mesma situação, o fato de que características pessoais também são impedimento para que o direito à educação seja desfrutado pelos jovens. Consideramos que a questão do preconceito esteja intimamente vinculada à saída dos jovens da escola pois, mesmo tendo que trabalhar, podemos nos perguntar o porque destes jovens não continuarem seus estudos em horários compatíveis com o trabalho.
 
E conclui:
Enquanto a sociedade se calar frente ao modelo de escola atual, que discrimina e exclui, "teremos uma perpetuação e até um agravamento das circunstâncias delimitadas por este trabalho no que diz respeito ao abandono da escola".
 
E aponta a SOLUÇÃO: "No entanto, se a educação assumir a ótica do oprimido ao exercer sua função emancipadora que visa a construção da autonomia do educando e, entendendo que a adolescência é o momento privilegiado para que isso aconteça, teremos como o melhor desfecho possível, tanto para o sujeito quanto para a sociedade, a permanência das pessoas na escola até o final da juventude".
 
Fonte: Texto "Evasão escolar na adolescência: necessidade ou ideologia?"
Para ler completo CLIQUE AQUI

                        A  palavra condenada

Escritores e jornalistas condenados pelo uso da palavra. O Judiciário contra a liberdade de expressão. A instituição Justiça em prol da pior das tiranias: a ditadura do silêncio
 
Eduardo Galeano disse tudo neste trecho do seu livro VOZES & CRÔNICAS
 
"Quando as palavras não podem ser mais dignas que o silêncio, é melhor a gente calar-se.
 
Nas longas noites de insônia e nos dias de desânimo, aparece uma mosca que fica zumbindo dentro da cabeça da gente: VALE A PENA ESCREVER? Será que as palavras sobreviverão em meio aos adeuses e aos crimes? Tem sentido este ofício que a gente escolheu - ou pelo qual a gente foi escolhido?"
 
Eu sou um americano do Sul. Nasci em Montevidéo e lá dirigi alguns jornais e revistas sucessivamente fechados pelo governo ou pelos credores. Escrevi vários livros - que estão todos proibidos. (...) Em Buenos Aires, fundamos "Cris", a revista cultural de maior tiragem na história da língua espanhola. Publicamos o último número em agosto de 1976, porque não dava mais para continuar.
 
Quando as palavras não podem ser mais dignas que o silêncio, é melhor a gente calar-se. E esperar!
 
Em tempos tão tumultuados, o ofício de escrever torna-se um perigo. Em circunstâncias assim, ou a gente recupera o orgulho e a alegria da palavra ou perde o respeito por ela - para sempre.
 
Se queremos trabalhar por uma literatura que ajude a revelar a voz dos que não têm voz, como podemos atuar dentro dessa realidade? Será que podemos nos fazer ouvir em meio a uma cultura surda e muda? Nossas culturas são repúblicas do silêncio. A pequena liberdade do escritor não seria, às vezes, a prova de seu fracasso? Até onde e até quem podemos chegar?
 
Que bela tarefa a de anunciar o mundo dos justos e dos livres! Que função mais digna, essa de dizer não ao sistema de fome e das cadeias - visíveis ou invisíveis! Até onde os donos do poder nos dão permissão de ir?"
Colonialismo interno
 
                    João Baptista Herkenhoff*
 
Diga-se sem meias palavras: há um colonialismo interno no Brasil. Seja denunciado esse colonialismo, não com a intenção de ampliar as cisões, mas com o desejo de contribuir para que os rumos sejam retificados.
Dentro da visão míope desse colonialismo, só existe competência, criatividade e inteligência, no Rio de Janeiro e em São Paulo. Até mesmo Estados poderosos como Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco são afastados do “grupo dos seletos”.
Quanto a Estados pequenos, como o Espírito Santo, nem se fale. São simplesmente excluídos do mapa.
Esse colonialismo interno atua em todas as áreas. Na Medicina, só haveria grandes profissionais no circuito Rio – São Paulo. Na Educação, as grandes universidades são as cariocas e paulistas. Na imprensa o que cabe registrar, até mesmo nesses resumos de notícias apresentados pela televisão, são as manchetes dos jornais que se editam nas duas maiores cidades brasileiras.
Na Literatura, ninguém entra na “ceia dos cardeais” sem o beneplácito das editoras que exibam as siglas SP ou RJ. Na Justiça, só faz jurisprudência destinada a ser bússola aquela produzida pelos tribunais de São Paulo e do Rio, abrindo-se exceção, neste campo, obviamente, para os tribunais federais sediados em Brasília.
Em razão dessa prática colonialista habitual é que vibramos de orgulho e alegria quando um capixaba, em qualquer área da atividade humana, desponta no estrelato nacional, ou quando uma criação legitimamente nossa, como os pios de caça de Maurílio Coelho, de Cachoeiro de Itapemirim, despertam admiração e encantamento até fora do Brasil.
Mas se o realce do que se faz em nossas plagas estimula o ego, o desconhecimento nos entristece muito.
Agora mesmo, vejo ser dado um grande destaque, nos mais diversos veículos de comunicação, ao diagnóstico que se fez da Justiça brasileira, inclusive com a tentativa de radiografar a cabeça dos magistrados. Este diagnóstico é apresentado como absolutamente pioneiro, o que não é verdade.
O capixaba que assina este artigo publicou em 1977, por uma pequena editora, um livro intitulado “A função judiciária no interior”. O livro mereceu duas páginas de comentário da revista VEJA, edição de 30 de março de 1977, com chamada de capa. Disse textualmente a VEJA:
“Qual será o perfil do juiz brasileiro da primeira instância, cerca de 2.000 homens sem rosto que, de certa forma, estão no centro dos problemas do Judiciário? O tema, até agora, tem vivido num deserto estatístico e sociológico. Mas algumas respostas podem estar começando a emergir, como as que aparecem em “A Função Judiciária no Interior”, dissertação de Mestrado apresentada à PUC/RJ pelo juiz João Baptista Herkenhoff, de Vitória, ES.”
Fica feito o registro. Sem mágoa, mas por amor à verdade histórica.
 

*João Baptista Herkenhoff é Livre-Docente da Universidade Federal do Espírito Santo e   escritor. E-mail: jbherkenhoff@uol.com.br - Homepage: www.joaobaptista.com

Intelectuais lançam manifesto contra a condenação de Emir Sader
 

Intelectuais brasileiros lançaram nesta quarta-feira (1º) um  manifesto de "veemente repúdio" contra a condenação despropositada do  professor Emir Sader, por este ter escrito um artigo em que criticou  declarações preconceituosas e "racistas" do senador Jorge Bornhausen (PFL-SC).

No manifesto, que é encabeçado por Antonio Cândido e está aberto a  adesões, os abaixo-assinados classificam a decisão judicial como um  ataque ao direito de livre-expressão e à autonomia universitária - já  que o juiz também determinou a demissão de Sader da universidade  pública em que dá aulas.

 "Ao impor a pena de prisão e a perda do emprego conquistado por  concurso público, é um recado a todos os que não se silenciam diante das injustiças", diz o texto.

 Leia abaixo a íntegra do manifesto:

A sentença do juiz Rodrigo César Muller Valente, da 11ª Vara Criminal de São Paulo, que condena o professor Emir Sader por injúria  no processo movido pelo senador Jorge Bornhausen (PFL-SC), é um despropósito: transforma o agressor em vítima e o defensor dos  agredidos em réu.

O senador moveu processo judicial por injúria, calúnia e difamação em virtude de
artigo publicado no site Carta Maior
, no qual Emir Sader reagiu às declarações em que Bornhausen se referiu ao PT como uma "raça que deve ficar extinta por 30 anos". Na sua  sentença, o juiz condena o sociólogo "à pena de um ano de detenção, em  regime inicial aberto, substituída (...) por pena restritiva de  direitos, consistente em prestação de serviços à comunidade ou  entidade pública, pelo mesmo prazo de um ano, em jornadas semanais não  inferiores a oito horas, a ser individualizada em posterior fase de  execução". O juiz ainda determina: "(...) considerando que o  querelante valeu-se da condição de professor de universidade pública deste Estado para praticar o crime, como expressamente faz constar no  texto publicado, inequivocamente violou dever para com a Administração  Pública, motivo pelo qual aplico como efeito secundário da sentença a  perda do cargo ou função pública e determino a comunicação ao  respectivo órgão público em que estiver lotado e condenado, ao  trânsito em julgado".

Numa total inversão de valores, o que se quer com uma condenação como essa é impedir o direito de livre-expressão, numa ação que visa  intimidar e criminalizar o pensamento crítico. É também uma ameaça à  autonomia universitária, que assegura que essa instituição é um espaço  público de livre pensamento. Ao impor a pena de prisão e a perda do  emprego conquistado por concurso público, é um recado a todos os que  não se silenciam diante das injustiças.
 
Nós, abaixo-assinados, manifestamos nosso mais veemente repúdio.

(Os que desejarem assinar o manifesto podem fazê-lo através do endereço www.petitiononline.com/emir/petition.html)


    Antonio Candido
    Flávio Aguiar
    Francisco Alambert
    Sandra Guardini Vasconcelos
    Nelson Schapochnik 
    Gilberto Maringoni
    Ivana Jinkings
 

Estranho ódio aos alunos

"Tenho alunos que dá vontade de jogar na latrina e ligar a descarga!"

O professor Gabriel Perissé, da USP, ouviu essa frase de uma colega e relata neste artigo a indignação que sente diante de colegas sem-classe que destilam frases venenosas de desprezo pelos alunos. Encerra seu artigo dizendo que esses colegas o fazem sentir vergonha de ser professor.

                                            Professores sem classe

Gabriel Perissé
 
"A autora da frase foi uma professora jovem, já encarquilhada por esse estranho ódio aos alunos que por vezes se instala no coração docente."
 
Neste começo de ano letivo, na sala de professores de uma faculdade, ouvi a seguinte frase: “Tenho vários alunos que dá vontade de jogar na latrina e ligar a descarga!” E o pior é que nenhum dos ali presentes pareceu espantar-se. Alguns colegas até parabenizaram a formulação!

A autora da frase foi uma professora jovem, já encarquilhada por esse estranho ódio aos alunos que por vezes se instala no coração docente. Terá ela consciência do que disse? Saberá o quanto seu desabafo tem de antipedagógico? E que desse ódio decorrerão todos os novos fracassos em sua tarefa de promover o conhecimento entre os alunos?

Professores sem-classe perdem o direito às suas classes porque deixaram de fazer jus à classe a que pertencem. Nossa classe não tem como função desclassificar os alunos.

Na minha classe, não existem alunos de segunda classe. Os que têm dificuldades são aqueles que mais precisam que eu seja um professor de classe, com elegância no falar e no fazer, um professor com educação, que saiba realmente educar.

O professor sem-classe não divide os alunos em classes. Para ele, todos, apesar das diferenças de comportamento, desempenho, sonhos e projetos, devem deixar de ser mera classe dominada. Dominada pelo desânimo, causado pelo desprezo que lhe dedicam os professores sem-classe.

Professor que tenha consciência de classe não despreza a sua classe, nem descarrega sobre ela seus maus humores. É seu papel combater a mediocridade que porventura queira imperar em sua classe. É missão do mestre fazer com que sua classe seja uma classe para si mesma, torne-se classe que luta pela afirmação de seus legítimos interesses de classe. Cabe ao professor fazer de sua classe uma classe trabalhadora. Oferecer-lhe desafios que tornem os alunos capazes de vencer as provas da vida.

Tornou-se clássica a distinção entre professores que despejam matéria e os que deixam o aluno aprender. O professor classista defende o direito de o aluno estudar o que interessa para a vida, e não este excesso de conteúdos que só interessam à própria escola, como já denunciava Sêneca, um clássico da filosofia: “non vitae sed scholae discimus”.

A frase que aquela professora sem-classe disse continua dançando em minha memória. Frase inclassificável, que me fez, por um momento, sentir vergonha de ser professor.

Gabriel Perissé é doutor em Filosofia da Educação pela USP e coordenador pedagógico do Ipep (Instituto Paulista de Ensino e Pesquisa). Fonte: www.correiocidadania.com.br

Homenagem à violência é demais
 
Dias atrás, assistimos a um acontecimento insólito: a imprensa, a sociedade e a própria Câmara dos Vereadores louvar e até homenagear uma mulher que atirou num assaltante no Rio. A voz da Profa. Maria Helena Zamora, PUC-Rio se levantou contra esta apologia à barbárie praticada pelo próprio poder legislativo, o que torna o fato muito grave.
 
PROTESTO

Venho por meio desta protestar, da forma mais veemente, pela concessão da Medalha Pedro Ernesto à Sra. Maria Dora dos Santos Arbex. Foi um constrangimento inominável ver o poder legislativo homenagear uma aposentada que atirou num assaltante.

Este gesto foi gravíssimo, pois deu legitimidade a um ato que, além de não acrescentar nada de bom às agruras do cotidiano, torna mais sombrias as possibilidades para o futuro. Analisemos juntos que tipos de mensagens surgem deste acontecimento:

- qualquer reação envolvendo armas é justificável diante do argumento da autodefesa;

- o poder público é e sempre será ineficiente para proteger o cidadão, o que torna as armas desejáveis mesmo que tivéssemos uma polícia mais numerosa, mais presente e melhor equipada;

- a proliferação desenfreada de armas é bem-vinda, o vale-tudo é bem-vindo, o bang-bang é bem-vindo; balear, ferir e possivelmente exterminar nossos agressores são atitudes justificáveis e eventualmente heróicas e devem ser incentivadas.  

Em 26/10/06, a coluna de Ricardo Boechat, do jornal O Dia, trazia a seguinte nota:

"Condecorada pela Câmara dos Vereadores por ter atirado num assaltante no Flamengo, semana passada, a aposentada Dora Arbex, 67 anos, não deixou saudades no condomínio em que morou na Barra da Tijuca.

Moradores relatam que ela era temida por dizer que levava uma arma na bolsa. Certa feita, esbofeteou um empregado, fato registrado no circuito interno de vídeo. Noutra, dirigiu ofensas raciais a um porteiro, testemunhadas pelo síndico. Sua filha Kátia esfaqueou um vizinho, segundo queixa na 16a DP. E ameaçou os filhos de outro, acusando-os de terem envenenado seu cachorro."

Será que atitudes como as que foram enumeradas na coluna parecem aceitáveis para os defensores da reação impulsiva endossada pela pistola? Será que parecem atitudes normais, justificáveis, produtivas ou até mesmo invejáveis?

Em caso positivo, como devemos agir? Como podemos encarar o fato de que pelo menos alguns de nós consideram que a agressão raivosa é uma opção interessante?

A sensação que tenho é que pretendem nos transportar de volta para a barbárie e que o mundo descrito na nota do Boechat poderá se reproduzir em escala muito maior, caso não deixemos claro nossa posição: Pela Paz, contra a violência!!!

Ass: Profa. Dra. Maria Helena Zamora, PUC-Rio

[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]
Visitante número: