Ela é A PROFESSORA

Sempre gosto de citar aquela pergunta da Adélia Prado em suas críticas à escola: "Mestre? Onde é que tem um mestre no Brasil pra que eu lhe beije as mãos?". Adélia foi professora e escreveu em seus vários livros sobre os horrores que presenciou na escola pública. Na frase acima, ela faz menção à nossa escassez de "mestres", ou seja, professores temos aos montes, mas professor de verdade, é raríssimo encontrar.

Daí eu trazer hoje uma mestra para que beijemos suas mãos. Ela é professora municipal e se ofereceu para implantar o projeto EJA - Educação de jovens e Adultos - na cadeia de Cataguases. Seus alunos são pessoas que suportam o pior estresse para o ser humano: a perda da liberdade. Pessoas que passam dias, meses, anos dentro de uma cela superlotada e só saem para o banho de sol, a visita semanal e para as aulas da professora Beth.

As aulas acontecem no pátio da cadeia, sem nenhuma infraestrutura para um projeto educacional. Mas é ali que a professora Beth realiza o maior projeto educacional deste país. Ali, onde o dever de casa é "para cela" e são feitos no chão ou em cima dos beliches, pois não há uma mesa para apoiar cadernos e livros. Ali, onde as carteiras têm de mudar de lugar, conforme faça sol ou chuva. Ali, onde professora e alunos convivem com grades por todos os lados e com a insegurança que paira nesses lugares, onde nenhum animal resistiria viver.

E lá está a "tia Beth" com grupos multiseriados de alunos. Uns são alfabetizados, outros estão em alguma série do ensino fundamental e até os que estudam para completar o ensino médio. Para falar melhor dessa professora, trago o texto de um de seus alunos que escreveu para o jornal Recomeço, o jornal dos detentos:

Obrigado, professora Beth
Cristiano Cimas
Ela faz um trabalho na cadeia que deveria ser reconhecido pelas autoridades competentes. Ela vem alfabetizando muitos dos nossos irmãos, que no passado não tiveram condições de estudar

Primeiramente venho parabenizar aos amigos de sofrimento e a toda equipe do jornal Recomeço, que nos oferece essa oportunidade de poder expressar nossos problemas.
Espero que a senhora continue esse trabalho, pois Deus sempre estará iluminando seus caminhos...Amigos, hoje eu quero falar de uma pessoa e especial, super atenciosa, competente, uma guerreira que luta pelos seus objetivos. Eu falo da Tia Beth.
Ela é como uma madrinha para nós, pois na minha situação onde minha família é de outro estado, as dificuldades são grandes, mas ela me traz esperança, não só para mim, mas para todos que não têm o apoio da família.
Ela luta pelos nossos direitos e corre atrás de nossos benefícios. Irmãos, eu falo de uma pessoa que tem o coração extraordinário, ela tem muito respeito vindo da gente, pois é a única que acredita em nossa recuperação. Faz um trabalho na cadeia que deveria ser reconhecido pelas autoridades competentes. Ela vem alfabetizando muitos dos nossos irmãos, que no passado não tiveram condições de estudar. Apesar das dificuldades ali está ela, com carinho e atenção, vai aos poucos preparando a gente para encarar a sociedade.
Tia Beth para mim é como uma mãe, ela sempre me dá esperanças, conselhos, para eu possa ter forças de continuar minha caminhada.
Hoje aqui na comarca em que estou preso, todos adoram a professora Beth, ela tem da gente o respeito e o carinho geral de todos da cadeia.
Espero que a senhora continue esse trabalho, pois Deus sempre estará iluminando seus caminhos para que continue sempre ajudando pessoas que estão nas mesmas condições que a minha.
E falo para todos, contamos os dias para que possamos ter a presença dela. Ficamos cheios de esperanças, pois sabemos que mesmo isolados de toda sociedade e discriminados, existe uma pessoa que acredita em nós. Há tempos que eu queria desabafar o nosso sentimento. No meio de todos os problemas que enfrento, eu tinha que parabenizar o trabalho sensacional que a senhora faz aqui na cadeia.
Tia Beth, que Deus lhe dê forças para continuar seu trabalho. Nunca deixe de lutar pelos seus objetivos e nunca nos abandone, pois somos gratos por todo o esforço e a dedicação que a senhora tem por nós.
Deixo aqui um grande abraço. Se não fosse a senhora jamais teríamos uma voz ativa que chegasse até as autoridades. Obrigado por tudo.



Escrito por Postado por Glória às 22h10
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Do parceiro Cogitamundo

Sobre a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de manter a sentença do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJ-MS) que absolveu dois homens que fizeram sexo com menores do estado.

Nota pública da ABMP contra a decisão do STJ

01/07/2009

Nota pública

A ABMP (Associação Brasileira de Magistrados, Promotores de Justiça e Defensores Públicos da Infância e Juventude), encampando manifesto desencadeado em âmbito nacional da parte de todas as entidades e organismos que lutam pela defesa dos direitos da Criança e do Adolescente, vêm expressar seu inconformismo com a recente decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que absolveu do crime de exploração sexual praticado contra três adolescentes, com idades entre 13 e 14 anos, o ex-atleta Zequinha Barbosa e seu assessor Otávio Flores da Anunciação.

A decisão, que descriminaliza a exploração sexual infantil e juvenil, afigura-se profundamente dissociada dos princípios basilares que compõe a doutrina da Proteção Integral insertos no Estatuto da Criança e do Adolescente, e eivada de vício constitucional ante o flagrante desrespeito ao disposto no artigo 227 da Constituição Federal.

O caso gera perplexidade ante os graves reflexos sociais e políticos que esta decisão pode desencadear, pelo evidente retrocesso no combate à exploração sexual infantil, além de representar real risco de danos também perante a política externa, em face dos tratados que o Brasil é signatário, mormente, a Convenção sobre os Direitos da Criança de 1989, que convoca os Estados a tomarem todas as medidas necessárias para assegurar que as crianças estejam protegidas da exploração sexual.

Os pontos ressaltados no referido julgado para amparar a polêmica decisão chocam. Chocam antes de tudo por incluírem uma verdadeira excludente de ilicitude não contemplada no tipo penal do art. 244-A da Lei 8.069/90, qual seja, a de afirmar a inocorrência de crime quando tratarem-se de crianças ou adolescentes já corrompidos. Chocam também por oferecer compreensão limitada ao vocábulo “submissão” expresso naquele dispositivo, visto que esta também ocorre nas várias formas de manipulação da vontade da criança ou adolescente embutidas na recompensa objeto da exploração.

Esperamos, assim como todos os demais segmentos da sociedade civil organizada que se encontra apreensiva com a decisão, que o Superior Tribunal Federal (STF) receba o recurso extraordinário interposto pelo Ministério Público Estadual do Mato Grosso do Sul, fazendo-se sensível aos reclamos de JUSTIÇA, para que essas meninas, como tantas outras crianças e adolescentes, meninos inclusive, não tenham seu futuro selado por um sistema que não só propõe a descriminalização de qualquer conduta de adultos que usem o seu corpo mediante pagamento, como também as julga classificando-as de “prostitutas reconhecidas”, desprezando seu passado de violações.

A Diretoria da ABMP

Leia mais

 Analisando a nota do STJ sobre exploração sexual de adolescentes

 UNICEF alerta para consequências de decisão do STJ

 Nota pública contra a decisão do STJ que absolveu acusados de exploração sexual



Escrito por Postado por Glória às 00h03
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Unicef repudia decisão do STJ

Fundo das Nações Unidas para a Infância critica absolvição de dois homens acusados de pagar por sexo com menores no MS
O Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) criticou ontem a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) de manter a sentença do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJ-MS) que absolveu dois homens que fizeram sexo com menores do estado. Segundo nota divulgada pelo Unicef, os absolvidos são o ex-atleta José Luiz Barbosa (Zequinha Barbosa) e seu assessor Luiz Otávio Flôres da Anunciação, acusados de exploração sexual de duas crianças. Na interpretação do STJ, não é crime pagar por sexo com menores que se prostituem.

O STJ alegou que a prática não é criminosa, porque o serviço oferecido pelas adolescentes não se enquadra no crime previsto no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou seja, o de submeter criança ou adolescente à prostituição ou à exploração sexual.

Segundo a nota do Unicef, o argumento usado pelo STJ é o de que os acusados não cometeram crime, uma vez que as crianças já haviam sido exploradas sexualmente antes por outras pessoas. “Além do contexto absurdo da decisão, o fato gera indignação pelo fato de o Brasil ser signatário da Convenção sobre os Direitos da Criança e de, recentemente, em 2008, ter acolhido o 3º Congresso Mundial de Enfrentamento da Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, diz o texto.

Além disso, segundo a ONU, a decisão causa indignação em razão da insensibilidade do Judiciário para com as circunstâncias de vulnerabilidade às quais as crianças estão submetidas. “O fato gera ainda um precedente perigoso: o de que a exploração sexual é aceitável quando remunerada, como se nossas crianças estivessem à venda no mercado perverso de poder dos adultos”, pondera a nota da ONU.

VIOLAÇÃO DE DIREITOS - O Unicef, diz o texto, repudia qualquer tipo de violência contra crianças e adolescentes e reitera que a exploração sexual de meninas e meninos representa uma grave violação dos seus direitos e do respeito à sua dignidade humana e à integridade física e mental. “Nenhuma criança ou adolescente é responsável por qualquer tipo de exploração sofrida, inclusive a exploração sexual.”

Na nota, o Unicef relembra a Convenção sobre os Direitos da Criança (1989), assinada pelo governo brasileiro em 1990, que convoca os Estados membros a tomarem todas as medidas apropriadas para assegurar que as crianças estejam protegidas da exploração sexual, assim como o Protocolo Facultativo à Convenção sobre os Direitos da Criança referente à Venda de Crianças, à Prostituição Infantil e à Pornografia Infantil, que requer que os Estados membros proíbam, criminalizem e processem judicialmente essas práticas. 
(publicado no jornal Estado de Minas - 30/6/ - caderno Nacional)


Escrito por Postado por Glória às 17h44
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  Michael Jackson, acima de tudo, o dançarino...

Dançar é escrever com o Corpo

Clevane Pessoa de Araújo Lopes

Dançar é escrever com o corpo
no espaço estendido à frente,
alongar-se,encolher-se,
rodopiar,
inclinar-se.
jogar-se em absoluta confiança
no Outro que a(m)para,
depois de centenas de ensaios...
Dançar é tocar música
com gestos,com os pés,
absolutamente sem voz,
na arrasadora maioria das vezes.
Dançar é interpretar com meneios
e oscilações impressionantes
ao nosso olhar supreso,
pois temos os pés no chão,
as nuances da mensagem, do enredo,
da palavra em das formas desenhadas
no espaço...
O corpo é o instrumento dos dançarinos:
suas mãos-libélulas,
suas mãos- borboletas,
suas mãos-colibris
escrevem versos no ar...
Seus pés com centenas de micro-fraturas,
seguem intinerários
que a cada instante
recomeçam
e recomeçam,
e se repetem...
A coluna é de borracha, de látex, de seda...
Curva-se, encaixa-se, projeta-se.
e como dói, mas que importa,
se é o centro do soma?...
O rosto parece cheio de luz
e não revela os sofrimentos
nem os cansaços...
Há um sol em cada um dos olhos, às vezes, um luar de ouro,
pois sempre brilham de prazer,
no vício sagrado
impossível de desfazer
Já vi bailarinos em cadeiras de rodas,
cada célula a vibrar,
como se fosse um palco
particular.
Já os vi com próteses de celulóide,em pleno voo...
Já vi os que não mais podem
bailar, tornarem-se mestres,
para que os Outros possam dançar por eles...
Que magnífica mensagem vemos nas sapatilhas
esfarrapadas e disformes,
que foram um dia de superfície lisa e brilhante,
cetim e forma...
Quantos já dançaram com pés sangrando,
joelhos inchados, microfraturas?
Quantos choravam lutos e perdas
enquanto sorriam?
O dançarino é feito de retalhos dos deuses,
lançados pela Terra,
para que não possam ser esquecidos
em sua divindade...
O dançarino tem um pouco de ave e de borboleta
ou libélula, ou pluma, ou floco de algodão,
ou pétala, ou poalha ,
a dançar na luz...
---------------------------------

Poesia publicada no PPP, projeto poesia no pano
Publicado por clevane pessoa de araújo



Escrito por Postado por Glória às 00h27
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STJ concorda com Ferreira Gullar

Se o sujeito nasceu pedófilo, por que sua preferência sexual é considerada crime? Por que punir alguém que apenas obedece a impulsos inatos que lhe são impostos pela natureza?

Tenho visto coisas absurdas na justiça brasileira, mas a recente sentença do STJ, que absolveu dois acusados de explorar sexualmente três adolescentes, está difícil de engulir. Há algo de muito podre num país onde homens letrados, autoridades, representantes do estado, consideram "normal" adultos terem preferência sexual por menores e usarem do poder da grana para submeter meninas às suas libertinagens doentias.  Um, até escritor e poeta, chega a sair em defesa dos pedófilos.

Ainda mais num país que ostenta o vergonhoso recorde de violência sexual contra criança e adolescente, como podem esses ministros, a mais alta corte da nação, incentivar mais esses canalhas com a conivência da justiça?

Na sua coluna, Ferreira Gullar completa: "Se ele (o sujeito)gosta de birita, maconha, cocaína, crack ou ecstasy, é problema dele. Mas não, pai, mãe, polícia, a sociedade inteira se volta contra ele. E depois ainda se tem o desplante de afirmar que vivemos numa democracia. Como democracia, se o cara tem que se sujeitar às imposições sociais? Por quê? Se o cara cheira, fica doidão e sai assaltando os caretas, é problema dele. O assaltado que se vire."

Leiam artigo sobre a sentença, 24/6/2009, caderno Cotidiano, na Folha de São Paulo:

Pagar menor por sexo não é crime, diz STJ

Procuradoria de MS vai recorrer da sentença que absolveu dois acusados de explorar sexualmente três adolescentes. Na interpretação dos ministros, só haveria infração penal se garotas tivessem sido iniciadas na prostituição por eles

AFONSO BENITES

A Procuradoria Geral de Justiça de Mato Grosso do Sul vai recorrer de sentença do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que considerou que não é crime manter relações sexuais com menores de 18 anos que sejam prostitutas. A decisão absolveu dois acusados de exploração sexual de adolescentes.
O caso corre em segredo de Justiça. Segundo o Ministério Público e os defensores dos réus, os acusados são o ex-atleta Zequinha Barbosa e o ex-assessor dele Luiz Otávio Flores da Anunciação. A sentença cita somente as iniciais deles.
A decisão foi tomada no dia 5 de maio. Para os ministros, só seria grave se as garotas tivessem sido iniciadas na prostituição por eles.
"Esta corte tem entendimento no sentido de que o crime previsto no artigo 244-A do ECA [Estatuto da Criança e do Adolescente] não abrange a figura do cliente ocasional, diante da ausência de exploração sexual",
diz o relatório aprovado pelos ministros.
Uma decisão no mesmo sentido já havia sido proferida pelo Tribunal de Justiça de MS. Segundo a Procuradoria, o recurso será apresentado ao Supremo Tribunal Federal.
De acordo com o Ministério Público, Zequinha e Anunciação submeteram à prostituição três adolescentes, que na época do suposto crime, em 2003, tinham 13, 14 e 15 anos.
No processo, consta que elas estavam em um ponto de ônibus e foram contratadas para ir a um motel com os acusados.
Segundo as investigações, Anunciação tinha armazenadas fotos de uma das jovens em poses pornográficas. O STJ manteve a condenação sobre esse crime, que era de um ano de reclusão, mas que foi substituída por uma pena alternativa.
Em 2004, Zequinha havia sido condenado em primeira instância a cinco anos de reclusão e Anunciação, a sete. No ano seguinte, o TJ (Tribunal de Justiça) os absolveu.
À época, Anunciação disse que manteve relações com as jovens, mas não sabia que as garotas tinham menos de 18 anos. Zequinha negou que tenha mantido relação com elas.
Os advogados Kátia Cardoso, que defende Anunciação, e Renato Rocha, que atua por Zequinha, afirmam que a Procuradoria só está exercendo o direito de recorrer. "Estamos confiantes que a absolvição será mantida", disse a advogada.
O caso foi investigado pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito da exploração sexual infantil.

"Deus te ferirá também a ti, hipócrita! Tu estás aí assentado para julgar-me segundo a Lei, e contra a Lei mandas que eu seja ferido?" (Paulo diante do Grande Conselho)


Escrito por Postado por Glória às 00h44
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Dois pesos e duas medidas

Foi uma infeliz e retrógrada decisão jurídica?

No artigo abaixo, a deputada federal Maria do Rosário Nunes descreve mais uma das costumeiras sentenças da justiça brasileira a favor dos criminosos, e a chama de uma infeliz e retrógrada decisão jurídica. Eu queria dizer à deputada que não se trata só de atraso e decisão infeliz da nossa justiça. É algo muito mais grave e infame. Trata-se de um enraizado desprezo e repulsa pelos "menores" neste país.

Essa justiça, que considerou normal dois homens levarem duas meninas para um motel e que "além de fazer sexo, espancam as garotas e as fotografam desnudas em poses pornográficas", é a mesma que condenou três estudantes a indenizar uma professora por terem feito uma brincadeira de mau gosto em sala de aula (saiu nos jornais a notícia) e publicado na internet. Nada que não resolvesse com uma retirada do vídeo, um pedido de desculpas e um nobre perdão por parte da educadora. Mas, cara deputada, vivemos em uma sociedade de castas. Para cada classe, a justiça tem uma ótica. Leiam o artigo da Folha de São Paulo, hoje, e vejam o vídeo abaixo na TV UOL.

Meninas invisíveis

MARIA DO ROSÁRIO

O caso das crianças de MS cho ca por sua brutalidade e perversidade. Deveria servir para o país olhar para o tema da prostituição infantil

UM ENREDO em dois atos e muitas omissões. Recentemente, o Brasil se indignou diante da TV, no horário nobre de uma noite de domingo, com uma mãe que, no interior do Pará, oferecia a filha a um repórter em troca de três latas de cerveja.
O "show da vida" ali não tratava de uma ficção, mas de um flagrante da dura realidade vivida por milhares de meninas invisíveis que são exploradas sexualmente no breu de ruas, becos, botecos e esquinas do país.
Na última semana, no conforto de suas salas climatizadas, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) manteve a decisão do Tribunal de Justiça do Mato Grosso do Sul (TJ-MS), que havia absolvido dois réus acusados de exploração sexual de menores por entender que cliente ou usuário eventual de serviço oferecido por prostituta não se enquadra no crime previsto no artigo 244-A do Estatuto da Criança e do Adolescente.
Aqui cabe uma pausa; vamos aos autos, senhores magistrados, digo, leitores. Uma das menores violentadas -que chamaremos de Virgínia- não nasceu nas ruas. Sua mãe ofereceu Virgínia ao amante, numa discutível prova de amor. Seviciada e humilhada, Virgínia fugiu de casa e, nas ruas, encontrou uma amiga, também menor, filha de uma trocadora de ônibus, que se iniciara na prostituição em troca de um vidro de xampu.
A decisão do STJ, em si, já é absurda. A possibilidade de criar uma jurisprudência do "liberou geral" é, então, ultrajante. Ela viola os direitos humanos e avilta o espírito da própria lei.
Afinal, os legisladores que criaram o Estatuto da Criança e do Adolescente não foram permissivos e deixaram claro que não há nenhuma distinção de classes sociais, muito menos atenuantes no caso de a violência sexual ser praticada contra crianças que já tenham sido violentadas anteriormente. Em nenhum lugar da lei está escrito que a ausência da virgindade pode se transformar numa atenuante para os que cometem os odiosos crimes sexuais.
Voltando aos autos. Dois homens em um ponto de ônibus assediam e contratam Virgínia e a outra menor para um programa mediante o pagamento de 80 reais para cada uma. No motel, além de fazer sexo, espancam as garotas e as fotografam desnudas em poses pornográficas.
O cioso tribunal manteve a condenação dos réus apenas por terem fotografado as menores -será que foi pela falta de registro profissional? Silenciou quanto ao fato de as meninas terem sido agredidas fisicamente, o que, por si só, já agrega traços de sadismo e violência que deveriam agravar a situação dos réus.
Foi uma infeliz e retrógrada decisão jurídica baseada em um anacrônico Código Penal sexagenário que tipifica esse tipo de crime apenas contra os costumes. Ora, bastava aos ilustres magistrados considerar que a atual legislação -o ECA- já responde a isso e não ficar no cômodo aguardo da alteração do Título VI do Código Penal, paralisado no Senado Federal no aguardo de discussão e votação. Torpe e lamentável interpretação, optaram os magistrados.
Quem se der ao trabalho de consultar o relatório da CPI que investigou a exploração sexual de crianças e adolescentes no país vai se deparar com o caso acima citado e outras dezenas de flagrantes do flagelo documentado por meses de apuração em todos os Estados brasileiros.
O caso das crianças matogrossenses choca pela sua brutalidade e perversidade. Deveria servir de exemplo para que o país voltasse os olhos para o tema da prostituição infantil, não pelo viés machista e sexista dos primórdios do século passado, mas pela busca de um arcabouço jurídico que garanta a igualdade entre os sexos e puna de forma rigorosa todos os crimes cometidos contra a dignidade humana, ainda mais quando as vítimas são crianças e adolescentes no desamparo de uma família esgarçada ou, no mais das vezes, não existente.
São histórias de meninas invisíveis que tiveram seus instantes de esperança e luz ao contar seus dramas diante de congressistas, procuradores e representantes da sociedade civil.
A decisão do STJ apaga essa luz e devolve ao breu, à insignificância e ao abandono jurídico essa legião de brasileiras ultrajadas e violentadas nas suas vidas. Crianças definitivamente marcadas em suas mentes, seus corpos e seus corações.

 MARIA DO ROSÁRIO NUNES , 42, pedagoga, é deputada federal pelo PT-RS. É presidente da Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados e foi relatora da CPI que investigou a exploração sexual de crianças e adolescentes no Brasil.



Escrito por Postado por Glória às 22h39
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SEM DOCUMENTO NA ESCOLA, NÃO PODE!

MAS NA CADEIA, NO PRESÍDIO, NA FEBEM, PODE!

Há anos, venho alertando para o grave problema da exigência de documento nos serviços públicos deste país. Justamente um país onde 10% da população não têm nem registro de nascimento. Mas, como disse o deputado lá em Brasília: estão se lixando. No vídeo abaixo, Maria Dinair, presidente da comissão da criança da OAB, diz que essas pessoas não existem, nascem, mas não existem.

Quero lembrar a essa senhora e demais carrascos de brasileiros sem documento que há um lugar onde eles existem e são muito bem recebidos: NAS PRISÕES.

Então, fique claro, quando querem, sabem receber bem nossos excluídos. Isso só não acontece mesmo é nas escolas, nos serviços de saúde, nos programas sociais, etc. Sem documento, FORA!!! Mas nas cadeias, presídios, "febens", sejam bem vindos, entrem e recebam as "benesses" do estado.

"No Brasil, as únicas portas que estão sempre abertas a toda a população abaixo da classe média são as da cadeia." Millôr Fernandes



Escrito por Postado por Glória às 02h34
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Escola é também lugar de preconceito
Imaginem mais o quê nossos alunos não têm de suportar na escola. Pesquisa encomendada pelo Ministério da Educação com estudantes, seus familiares e funcionários de escolas públicas revela que 99% admitem preconceito contra minoria
RETRATO DA VERGONHA
(Natureza do preconceito % dos que assumem preconceito)

Geral 99,3%

Quanto a deficiência 96,5%

Racial 94,2

De gênero 93,5%

Entre gerações 91%

Socioeconômica 87,5%

De orientação sexual 87,3%

Relativo ao local de moradia 75,9%

(Fonte: Fipe/Pesquisa sobre preconceito e discriminação no ambiente escolar)
O preconceito nas escolas públicas brasileiras revela sua face mais cruel contra negros, portadores de deficiência e homossexuais. Pesquisa inédita da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) financiada pelo Ministério da Educação mostra que, como se não bastassem a humilhação e as agressões físicas, o sentimento ainda ajuda a perpetuar o distanciamento social entre os grupos analisados.
O levantamento, divulgado ontem, aponta que 99% dos entrevistados, entre alunos, pais de estudantes e funcionários de unidades municipais, estaduais e federais de ensino do país afirmam alimentar algum tipo de discriminação. Dos 18.600 ouvidos, 96,5% admitiram ter preconceito contra pessoas com deficiência; 94,2% assumiram discriminação contra etnias e raças; e 87,3% recriminam pessoas devido à sua orientação sexual. Um dos objetivos da pesquisa, feita por amostragem, é orientar a elaboração de políticas educacionais que minimizem essas diferenças.

O estudo indica que, por meio das crenças, valores e atitudes, todos os públicos entrevistados mostram que o preconceito é uma constante nas salas de aula. Os pesquisadores sortearam 500 escolas públicas do país, incluindo as localizadas em regiões rurais. A seleção foi feita de acordo com a proporcionalidade das matrículas por região demográfica e por modalidade de ensino: fundamental, médio e a Educação de Jovens e Adultos (EJA), baseado no Censo Escolar de 2007. Além de 15 mil alunos com idades a partir de 14 anos, foi entrevistada uma parcela dos pais desses estudantes, diretores das escolas, professores e funcionários das instituições de ensino.

Os resultados indicam que, além de nutrir o preconceito, os entrevistados evitam o contato com as vítimas. Ou seja, estudantes com algum tipo de deficiência, de raças discriminadas, pobres ou homossexuais são excluídos em brincadeiras, no recreio ou até em trabalhos na sala de aula e, por isso, a socialização entre todos é dificultada. Outra constatação preocupou os pesquisadores: as unidades de ensino que apresentaram índice de discriminação mais elevada mostraram também aproveitamento escolar mais baixo.

Uma face assustadora da pesquisa revela que 19% dos entrevistados responderam já terem visto algum aluno negro sendo humilhado ou agredido fisicamente simplesmente em função da cor da pele. Já 18,2% responderam o mesmo em relação aos estudantes pobres e 17,4%, aos homossexuais. “A situação é grave.
A estudante Taís Lívia de Jesus Neves, de 15 anos, é estudante da Escola Municipal Santos Dumont, no Bairro Santa Efigênia, Região Leste de BH, e já presenciou situações de discriminação. “É muito comum ver negros e gays sofrendo humilhação. Vejo isso sempre e é impossível a pessoa não sofrer. Conheço alunos que ficaram um bom tempo sem ir a escola por serem vítimas de discriminação”, afirma. (Pesquisa  publicada no jornal Estado de Minas, 18/6)


Escrito por Postado por Glória às 01h32
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Um tapinha não doi, professora?

Saiu hoje no jornal Tribuna de Minas

Mãe denuncia agressão contra filho em escola

A mãe de um aluno de 8 anos, de uma escola municipal na Zona Sul, procurou a Polícia Militar (PM) para denunciar uma agressão contra a criança, que teria ocorrido no interior da instituição. * Segundo a mãe da vítima, uma professora teria dado um tapa no rosto do menino. * De acordo com dados da PM, a suposta agressora teria confirmado a informação, alegando que foi insultada pelo aluno.   * A Secretaria de Educação informou que a diretora do Departamento de Apoio ao Estudante, Sandra Duque, iria visitar a família da vítima na noite de ontem, para apurar a situação e tomar as providências cabíveis.

* Depois de postar a notícia do jornal TM, deparei com outra publicação com o título Pedagoga dá tapa em aluno no jornal O TEMPO Online. CLIQUE AQUI



Escrito por Postado por Glória às 23h13
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O GRITO da professora

O GRITO do despreparo, da imaturidade, da incompetência

Leiam carta do professor Fábio Rodrigues Franco, de Vespasiano-MG, ao jornal Estado de Minas, ontem,  14/6, para relatar que sua colega foi mordida por uma menina de oito anos:
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Descaso - Agressão a professora ignorada por colégio

“... Sou professor da rede municipal de ensino de Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Na semana passada, testemunhei um fato muito constrangedor com uma colega de trabalho. Ela foi mordida por uma aluna, de 8 anos, do 3º ano do nível fundamental. Tanto a supervisão quanto a direção da escola não fizeram nada para defender a professora. Diferentemente disso, disseram que quem precisa de tratamento é a mãe da criança e que você como professor tem que estar sujeito a esse tipo de agressão. O Conselho Tutelar da cidade também não age em situações como essa. Enquanto não tratarem a educação com seriedade e valorizarem o profissional como deveria, este país nunca vai se tornar uma nação de Primeiro Mundo.”
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Escrevi ao jornal uma resposta orientando o professor:
  • Fiquei pasma com a carta do leitor  Fábio Rodrigues Franco (12/6) que escreveu para relatar que sua colega professora foi mordida por uma aluna de oito anos e que "tanto a supervisão quanto a direção da escola não fizeram nada para defender a professora".
  • Primeiro, é visível a imaturidade de um profissional da educação por considerar o fato como algo estranho à sua profissão. Se estudou um mínimo de Psicologia para ser professor, deveria saber que "mordida de criança" faz parte do comportamento infantil.
  • Segundo, não saber agir pedagogicamente diante de tal situação, ou seja, conversar com a criança para que ela diga por que mordeu uma pessoa, seja professora ou outra criança. Se ela não souber ou resistir em responder, ofereça alternativas que possam norteá-la. Morder é uma espécie de "comunicação física". Se a criança se comunicar com palavras não sentirá necessidade de morder.
  • Li sobre o tema que "assim como quem agride precisa aprender a se expressar para alcançar o que deseja, quem sofre a agressão tem de descobrir como se comunicar para se defender".
  • Quanto ao apelo por castigo, implícito na expressão "fazer alguma coisa", envio a orientação de Gislene Jardim, da Sociedade Paulista de Pediatria: "Devolver a violência só cristaliza a agressividade na turma. A relação entre os colegas ganha essa cara e fica cada vez mais difícil interromper o processo".
  • Portanto, que o leitor passe essas orientações a sua colega para que saiba lidar com situações inerentes à profissão de educador. Isso, sim, é levar a educação com seriedade e valoriza o profissional.


Escrito por Postado por Glória às 21h45
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 "Mestre? Onde é que tem um mestre no Brasil pra que eu lhe beije as mãos?" (Adélia Prado)

Na postagem abaixo, citei o artigo da Bárbara Gancia, Escola do crime, na Folha de São Paulo, 14/11/08. Posto na íntegra:

Escola do crime

BARBARA GANCIA
FSP - Cotidiano - 14 de novembro de 2008


É melhor declarar a falência do ensino público e lacrar de vez os portões de todas as escolas do Estado de São Paulo


A PESQUISA SOBRE violência nas escolas públicas feita pela Udemo (Sindicato de Especialistas de Educação do Magistério Oficial do Estado de SP) de que falou ontem este caderno Cotidiano deveria ter feito pais, professores e administradores públicos passarem a noite em claro.
Os números são coisa de filme de terror. À pergunta "a escola sofreu algum tipo de violência em 2007?", 86% dos entrevistados responderam sim. Mais da metade das escolas já foi vítima de depredação, pichação ou dano a veículo de professor e, em 38% dos locais avaliados, houve registros de explosão de bombas.
Brigas envolvendo agressão física entre estudantes ocorreram em 85% das instituições, e o desacato a mestres, funcionários ou à direção, em nada menos do que 88% das escolas. Ou seja, de cada dez escolas consultadas, pouco mais de uma parece estar conseguindo
manter a ordem.
Não sou lá grande intérprete de estatísticas, mas se os números são realmente esses, a menos que os professores sejam todos uns chorões -o que não parece ser o caso-, é melhor declarar a falência do ensino público e lacrar de vez os portões de todas as escolas do Estado de SP.
A Secretaria Estadual da Educação classificou de "caso atípico" a ocorrência policial na escola Amadeu Amaral, no bairro do Belém, na zona leste, em que uma briga entre duas alunas serviu de estopim para o caos e a destruição da escola promovidos por 30 alunos.
Gostaria de saber o que pensam os mestres e funcionários de outras escolas públicas, obrigados a enfrentar as bestas-feras todos os dias, sobre a "atipicidade" do ocorrido.
A baderna que se viu na Amadeu Amaral é o tipo de insubordinação que se vê diariamente. E que simplesmente reflete o que acontece do lado de fora da instituição de ensino. A classe média não está minimamente interessada no assunto, mas a confusão foi promovida por jovens que se acostumaram a resolver contendas "no braço" com pais, professores, amigos e vizinhos.
Eles não são melhores nem piores do que os adolescentes que vieram antes deles. Apenas imitam o comportamento que vêem ao seu redor, tomando para si o mesmo código de sobrevivência que vigora em todas as comunidades carentes em que a lei não se faz presente.
Acertar contas ameaçando "furar" ou "encher de pipôco" pode não ser ocorrência comum entre os freqüentadores dos shopping centers, mas é conversa corriqueira nos
bairros das periferias.
E não é papo exclusivo dos meninos, não. Todo mundo é obrigado a ser durão, quem piscar primeiro leva. É o faroeste, e ele está bem aí ao seu lado.
Junte a isso pais que, mesmo tendo pouco, mimam sempre que lhes é dada a oportunidade, a figura paterna ausente, o comércio de drogas na porta de casa e a abundante oferta de armas de fogo, e você terá o ambiente que essa criançada encontra quando volta da escola.
Esperar que, diante da autoridade do professor, eles se transformem em cordeirinhos é não enxergar que temos em mãos uma geração que se perdeu. Mas, como a realidade é dura de enfrentar, melhor continuarmos a falar da ação da polícia na Amadeu Amaral, não é mesmo? A polícia, ao menos, já está acostumada a ser saco de pancada.

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Leiam Adélia Prado, do livro Os componentes da banda

“Uma gritaria e os meninos se amontoam nas janelas: ‘pega, pega!’ É a radiopatrulha que a supervisora da noite mandou chamar pra espantar uns pobres moleques do lado de fora da cerca.”

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“O bedel passa perto de uma rodinha de meninos fumando, faz que não vê, porque são muitos e valentes; descobre um coitadinho fumando escondido, traz pelas orelhas e sapeca-lhe, à frente de todos, três dias de suspensão ‘para servir de exemplo’. A direção tem este serviçal como seu braço direito. O caos organizado, não é assim uma loucura?”

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"Mestre? Onde é que tem um mestre no Brasil pra que eu lhe beije as mãos?"



Escrito por Postado por Glória às 22h53
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Os alunos da escola pública na visão dos professores e da mídia fascista

O bilionário capitão do cimento, Antônio Ermírio de Moraes, fala, em nome da elite, a forma como eles veem os alunos de escola pública em seus inúmeros artigos quando escrevia na Folha de São Paulo:

"Os professores estão cada vez mais temerosos. Já se fala em fobia escolar. Muitos deles têm medo de entrar na sala de aula, pois sabem ser impotentes para enfrentar a agressividade da adolescência dos dias de hoje."

As imagens abaixo me fizeram lembrar dos artigos do Antônio Ermírio na FSP, chamando nossos alunos da escola pública de "perigosos". E também dessas notícias incríveis de que um aluno "espancou" a professora, depois a mídia publica a fala da "vítima" dizendo muito humilde e chorosa que apenas pediu disciplina ou chamou atenção do "agressor" por um dever não feito, que dar aula em escola pública é situação de risco, que os alunos são desordeiros, agressivos, bestas-feras (Bárbara Gancia, Escola do crime,14/11/08), verdadeiros monstros, etc, etc. Então, essa é a versão dos alunos propagada pelos professores e pela mídia fascista que está "se lixando" para a escola pública onde, afinal, seus filhos jamais chegarão nem perto. O episódio esses dias da polícia atacando os alunos da USP mostraram de forma gritante o autoritarismo e a truculência com que nossos estudantes são tratados pelas autoridades.

Vejam do excelente blog Tudo em cima

Mais  PÉROLAS do capitão do cimento Antônio Ermírio de Moraes
Em seu artigo A lamentável desordem!, publicado na Folha de São Paulo,  15/07/07:
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" A realidade no ensino médio é dramática.Os professores foram encurralados pelos adolescentes. Muitos têm medo de entrar na sala de aula por terem sofrido impropérios verbais e até agressões físicas. Na maioria das escolas, os alunos se organizam em bandos para ofender funcionários, professores e diretores e também para depredar as instalações".
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"Pesquisas realizadas pelo Instituto Fernand Braudel mostram que, num grande número de casos, os alunos dominaram por completo as escolas do ensino fundamental. Com os lamentáveis acontecimentos ocorridos na reitoria da USP, somos tentados a dizer que dominaram lamentavelmente todos os níveis de ensino."
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"Os direitos humanos dos desordeiros não podem prevalecer sobre os direitos humanos dos mestres e dos alunos que querem aprender. "
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"Professores e diretores estão apavorados. O medo os leva a tolerar agressões verbais e físicas, ofensas sexuais, porte de armas e estouro de bombas caseiras em plenas salas de aulas. Eles não contam com nenhum apoio quando são ameaçados de morte ou quando seus carros são depredados."


Escrito por Postado por Glória às 19h57
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A POLÍCIA NAS ESCOLAS E A POLÍCIA NA USP

Este é realmente um pais paradoxal. Há tempos, vimos denunciando o crime de presença da polícia nas escolas do Ensino Básico. Mas somos vozes ecoando no deserto. No vídeo abaixo uma notícia de 2007,  quando um batalhão de polícia no Paraná foi chamado à escola e revistou os alunos na frente de todos, numa cena humihante e cruel. A imprensa noticiou sem protestar, considerando até benéfico tal operação , digna de um estado nazista. Assistam ao absurdo, ao cúmulo do descaso com os alunos da escola pública:

 

Este ano a polícia fez o mesmo com a USP. Foi um alvoroço na imprensa com direito a artigo de filósofo na Folha de São Paulo. Nada contra, muito ao contrário: universidade também não é lugar de polícia. Mas por que não protestam quando a polícia invade escolas de Ensino Básico, com crianças e adolescentes, muito mais vulneráveis ao susto com a truculência da nossa polícia?

A universidade não é caso de polícia

VLADIMIR SAFATLE


Em vez de estigmatizar os alunos e tratá-los como delinquentes, talvez seja o caso de se perguntar contra o que eles se manifestam


     AS CENAS de batalha campal que vimos nesta semana na USP ficarão na memória daqueles que dedicam sua vida a essa instituição. Vários professores, como eu, que nunca participaram de movimento sindical, que nem sequer foram alguma vez a uma assembleia, veem com estarrecimento a disseminação da crença de que conflitos trabalhistas devem ser resolvidos apelando sistematicamente à polícia.
Diz-se que a polícia era necessária para evitar piquetes e degradações. No entanto, tudo o que ela conseguiu foi acirrar os ânimos e aumentar exponencialmente os dois.
     Vale a pena lembrar que, por mais que sejam práticas problemáticas que precisam certamente ser revistas, os piquetes estão longe de se configurarem como ações criminosas. A história das sociedades democráticas demonstra como eles foram, em muitos casos, peças necessárias de um processo de ampliação de direitos. Cabe a nós provar que esse tempo passou e que, devido à capacidade de diálogo, tais práticas não têm mais lugar.
     No entanto, quando se tenta reduzir manifestantes que procuram melhorias em suas condições de trabalho a tresloucados patológicos que nada têm a dizer, que não têm nenhuma racionalidade em suas demandas, dificilmente alguma forma de diálogo conseguirá se impor.
Melhor seria começar explicando qual racionalidade justifica que a universidade mais importante do país, responsável por parte significativa da pesquisa nacional, tenha salários menores que os de uma universidade federal em qualquer Estado brasileiro.
Por outro lado, há algo incompreensível na crença de que a polícia possa ser chamada para mediar conflitos com alunos e funcionários públicos. Muitos acreditam que ligarão para o 190 e receberão uma espécie de "polícia inglesa" capaz de agir de maneira minimamente adequada diante de cidadãos que se manifestam.
     Contudo, o que vimos até agora foi uma polícia que entrou pela primeira vez no campus armada com metralhadoras, quando a ação padrão deveria ser, nessas situações, agir desarmada. Quem tem uma metralhadora nas mãos imagina que porventura poderá usá-la. Mas contra quem? Contra nossos alunos? E quem decidirá o momento de usá-la?
     Como se isso não bastasse, uma polícia bem preparada não responde a provocações de gritos e latas com bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha usadas na frente da Escola de Aplicação e de uma faculdade em que, normalmente, há crianças e adolescentes. O que aconteceria se uma bala de borracha atingisse uma criança, ampliando um pouco mais o enorme contingente de balas perdidas disparadas pela polícia?
     Antes de ligar para a Polícia Militar, valeria a pena levar em conta seu despreparo manifesto em intervenções em conflitos sociais, histórico catastrófico mundialmente criticado por órgãos internacionais.
Nenhum leitor terá dificuldade de se lembrar de situações de conflito social nas quais policiais que se sentiram acuados reagiram de maneira descontrolada, provocando tragédias.
     Por fim, contrariamente a certa ideia que um anti-intelectualismo militante gosta de veicular nestes momentos, vários alunos alvos de balas de borracha são extremamente dedicados em seus cursos, participam sistematicamente de colóquios e programas de pesquisa, apresentam "papers" em congressos e podem ser constantemente encontrados em nossas bibliotecas.
     Sendo certo que vêm de todas as faculdades de nossa universidade (e não apenas da área de humanas, como alguns querem fazer acreditar), é inaceitável tratá-los como delinquentes potenciais. Dentre os 2.000 estudantes que se manifestaram nesta semana estão alguns de nossos melhores alunos.
Em vez de estigmatizá-los, talvez seja o caso de se perguntar contra o que eles se manifestam, já que, é sempre bom lembrar, antes da entrada da polícia, nem professores nem alunos estavam em greve. A greve restringia-se a funcionários.
     Há um mês, em uma pequena cidade francesa, a polícia recebeu um chamado de possível furto. Em uma atuação "exemplar", ela estava em alguns minutos no local do crime. No entanto, o local era uma escola, o objeto furtado, uma bicicleta, e o possível ladrão, uma criança de dez anos. Sem pestanejar, a polícia retirou a criança da escola na frente de seus colegas, levou-a à delegacia, colheu seu depoimento e a fichou.
     Possivelmente, foi contra esse modelo social baseado na incapacidade de resolver conflitos sem apelar à mais crassa brutalidade securitária que hoje nossos alunos se manifestam. Cabe a nós mostrar a eles que a história da USP é outra.

VLADIMIR SAFATLE, 36, é professor do Departamento de Filosofia da Universidade de São Paulo. (Fonte: Folha de São Paulo - 12/06/09 - Caderno Opinião)



Escrito por Postado por Glória às 01h56
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SAUDE PÚBLICA EM LEOPOLDINA VAI DE MAL A PIOR

Atendimento medíocre

É a maneira com que a população é tratada nas bem instaladas Unidades de Saúde, sem médicos, sem medicamentos, sem pedido de exame e com péssimo atendimento. E não é falta de dinheiro, não falta dinheiro para a saúde. O povão se lasca nas filas e no empurra-empurra das marcações das consultas: “Volte daqui a 15 dias, 30 dias, daqui a uns meses...”.  Continua aquele tormento e humilhação de ter de ir de madrugada para marcar consulta. Isso é um verdadeiro acinte com o povo, pois se a pessoa já está doente, como ficar no frio da madrugada?

E a burocracia?

Podia voltar aquele ministério da desburocratização para atacar essa epidemia que mata mais do que gripre suína. Pra tudo tem de ter documento e quem não tem, fica sem atendimento. Vejam que contrasenso, já que não ter documento é o cúmulo da exclusão. Ao contrário, essas pessoas deveriam ter um atendimento especial. Duvido que haja alguma país tão apegado a papel quanto o Brasil. Na verdade, o que impera é o descaso pelo povo. Sempre encontram uma forma de dificultar o acesso à saúde.

Vá procurar um especialista...

Outro cúmulo do absurdo. Os médicos nos postos (quando atendem), mandam o pobre doente (ou será doente pobre?) procurar um "especialista". Afinal, médico no serviço público atende o quê? Sempre pergunto como foi o atendimento e muitos me respondem que o médico nem lhes toca a mão. Sequer medem a pressão de pessoas em idade de risco para hipertensão arterial.

O que falta?

Não faltam postos (quase um em cada esquina), não faltam funcionários, não faltam médicos contratados, só falta mesmo a difícil solidariedade humana que faz com que vejamos no outro o nosso próximo. E uma pitada de fiscalização. Isso também é fundamental.



Escrito por Postado por Glória às 02h55
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COMUNICADO

Extinção do processo contra editora do jornal Recomeço


Escrito por Postado por Glória às 02h26
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